Espionagem global: governos tentaram hackear celulares de jornalistas

Programa espião foi usado para coletar informações de celulares de dezenas de jornalistas, empresários, políticos e ativistas ao redor do mundo

Denise Odorissi, da CNN em Londres
20 de julho de 2021 às 07:56

Uma reportagem apurada por 17 veículos de imprensa encontrou evidências de que governos usaram um programa espião para coletar informações de celulares de dezenas de jornalistas, empresários, políticos e ativistas ao redor do mundo.

A ferramenta, chamada Pegasus, funciona como um vírus, que infecta tanto Iphones quanto dispositivos Android, e consegue acessar mensagens, fotos e e-mails do aparelho. Também permite gravação de chamadas e pode até ativar microfones e câmeras, sem que o dono do telefone perceba.

Os investigadores tiveram acesso a uma lista com cerca de 50 mil números de telefone em quarenta e cinco países, reunidos nos últimos cinco anos, que seriam considerados contatos de interesse dos clientes da empresa. Entre os donos dos números, estão funcionários do jornal americano The New York Times, da TV Al Jazeera e da CNN.

Já se sabe que ao menos 37 pessoas tiveram o telefone invadido pelo programa. Entre elas, contatos próximos ao jornalista saudita Jamal Khashoggi, que foi assassinado durante uma visita ao consulado de seu país em Istambul, em outubro de 2018. O vírus foi instalado no telefone da noiva de Khashoggi dias depois do crime. A ex-esposa do jornalista também teve o telefone hackeado quando eles ainda eram casados.

Em 2019, o WhatsApp processou a NSO, dona do programa, alegando que ela estava por trás dos ataques cibernéticos a 1.400 telefones celulares. Na época, a companhia negou irregularidades, mas foi proibida de usar o aplicativo de troca de mensagens.

A empresa desenvolvedora do programa nega qualquer irregularidade. Afirma que o software serve para espionar criminosos e terroristas, e que ele está disponível apenas para militares, policiais e agências de inteligência de países com bons antecedentes de direitos humanos. Mas disse que vai continuar a investigar todas as alegações de utilização indevida e tomar as medidas adequadas.