Spyware que hackeou jornalistas fez invasão sem precedentes, diz especialista

À CNN, Arthur Igreja disse que o programa espião Pegasus monitorou smartphones de mais de 50 mil pessoas ao redor do mundo durante 24 horas

Amanda Garcia, da CNN, em São Paulo
21 de julho de 2021 às 10:56 | Atualizado 21 de julho de 2021 às 11:03
Espionagem - Israel
Espionagem: spyware Pegasus teve acesso a números de jornalistas, autoridades e ativistas de todo o mundo
Foto: Shutterstock

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (21), o especialista em tecnologia e segurança digital, Arthur Igreja, disse que a utilização do programa espião Pegasus é “extremamente preocupante”.

Uma reportagem apurada por 17 veículos de imprensa apontou nesta semana que há evidências de que governos usaram o programa para coletar informações de celulares de jornalistas, empresários, políticos e ativistas ao redor do mundo.

“O caso está sendo considerado de máxima gravidade por todos os experts em cibersegurança, porque mostrou um nível de capacidade de monitoramento sem precedentes”, explicou Igreja.

Algumas pessoas receberam um link e, ao clicarem, permitiram um monitoramento de 24 horas do smartphone, mesmo com uso de ferramentas criptografadas, já que permite gravação de tela, com concessão integral até de localização do usuário.

E, mais grave, houve invasões sem o clique, ou seja, o indivíduo sequer sabia que havia sido invadido.

Isso, segundo ele, significa que pode haver um número muito maior de pessoas hackeadas do que o divulgado, de 50 mil: “Pode ser apenas uma amostragem, não está restrito a 50 mil números, pode ser imensamente maior do que isso, vários personagens perseguidos, sequestrados, aparecem nessa lista.” 

Arthut Igreja ainda destacou que o software “tem a possibilidade de prevenir terrorismo, mas que é uma ferramenta, e, por isso, tudo depende de como ela será usada.”