EUA impõem sanções a oficial de segurança de Cuba por repressão a protestos

Medida marca os primeiros passos concretos do governo Biden para pressionar o governo cubano

Daphne Psaledakis, Matt Spetalnick, Lisa Lambert e Doina Chiacu da Reuters
22 de julho de 2021 às 15:21 | Atualizado 22 de julho de 2021 às 15:35

Os Estados Unidos impuseram sanções nesta quinta-feira (22) a um oficial de segurança cubano e a uma brigada do Ministério do Interior de Cuba, após a repressão aos protestos antigovernamentais do início deste mês, segundo o site do Departamento do Tesouro dos EUA.

A medida marca os primeiros passos concretos do governo do presidente dos EUA, Joe Biden, para pressionar o governo cubano, à medida que o democrata enfrenta pressão de parlamentares norte-americanos e da comunidade cubano-americana para mostrar maior apoio aos manifestantes.

Biden diz que sanções contra Cuba são "apenas o começo"

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quinta-feira (22) que as novas sanções dos EUA contra Cuba têm como alvo os responsáveis por reprimir manifestações naquele país e que este é apenas o primeiro passo na resposta norte-americana.

"Este é apenas o começo", disse Biden em um comunicado.

"Os EUA condenam as detenções em massa e os julgamentos simulados em Cuba e vão continuar punindo os indivíduos responsáveis pela opressão do povo cubano", afirmou.

Biden, na última terça-feira (20), instruiu seu governo a examinar as remessas -- a prática dos americanos de transferir dinheiro para seus parentes cubanos -- para Cuba após os protestos na ilha. A revisão seria para determinar como os residentes dos Estados Unidos podem enviar dinheiro ao país, disse um alto funcionário do governo norte-americano à CNN.

"Sob a liderança do presidente Biden, os Estados Unidos estão buscando ativamente medidas que apoiem o povo cubano e responsabilizem o regime cubano", disse a autoridade.

O "Grupo de Trabalho sobre Remessas" deverá atuar para "identificar a forma mais eficaz de enviar remessas diretamente ao povo cubano", disse o funcionário.

Foto: REUTERS/Alexandre Meneghini

Biden havia dito na semana passada que acreditava que, nas atuais circunstâncias, as remessas transferidas por americanos acabariam nas mãos do regime. Mas, desde então, ele tem enfrentado pressão para mostrar solidariedade aos manifestantes.

O governo cubano controla o setor financeiro da ilha e todas as comunicações. Impedir que o governo envie dinheiro ou melhore o acesso à Internet é um desafio que outras administrações dos EUA tentaram e não conseguiram superar.

No entanto, a questão cresceu exponencialmente nos últimos dias, juntamente com os maiores protestos na ilha em décadas. Milhares de cubanos saíram às ruas de todo o país neste mês para protestar contra a escassez crônica de produtos básicos, restrições às liberdades civis e como o governo está lidando com o agravamento do surto de coronavírus.