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    2023 será o ano mais quente da história, diz relatório

    Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a temperatura do planeta deve ficar 1,4°C mais alta

    Priscila Yazbekda CNN

    Paris

    São tantos alertas sobre as altas temperaturas de 2023 que a própria entidade que divulgou o relatório desta quinta-feira falou sobre uma cacofonia ensurdecedora de recordes climáticos.

    O estudo da Organização Meteorológica Mundial, a OMM, revela que a temperatura de 2023 deve ficar 1,4°C acima dos níveis pré-industriais. Isso significa que este será o ano mais quente já registrado na história por uma grande margem, substituindo o recorde anterior de 2016, de 1,2ºC acima da média pré-industrial.

    O secretário-geral da OMM afirmou que os níveis de gases de efeito estufa estão em patamares recordes. As temperaturas globais estão em níveis recordes.

    O aumento do nível do mar e a redução no gelo marinho da Antártida são recordes.

    O relatório foi divulgado na semana em que líderes do mundo todo se reúnem na cúpula do clima da ONU, a COP28. E pode ser mais um elemento de pressão sobre as negociações que devem girar em torno da eliminação gradual da energia proveniente de combustíveis fósseis e do cumprimento ou não do Acordo de Paris.

    O principal objetivo do Acordo de Paris, firmado em 2015 e assinado por 196 países, é manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais até o fim do século, mas buscando limitar o aumento a 1.5°C – um limiar que cientistas dizem que, se for ultrapassado, pode ter consequências desastrosas.

    A OMM afirma que os dados levantados não significam que o mundo vai ultrapassar o limite de 1,5ºC. Para isso, o nível de aquecimento precisaria ser mantido por mais tempo. Mas cientistas alertam que se nada for feito, o mundo caminha para atingir essa marca preocupante.

    Dados do serviço de mudanças climáticas da União Europeia, o Copernicus, mostraram que, pela primeira vez, o mundo registrou um dia com temperatura média 2°C acima da era pré-industrial, no último dia 17 de novembro.

    O relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente também mostrou, há duas semanas, que no cenário mais otimista, a probabilidade de limitar o aquecimento a 1,5°C é de apenas 14%. Se ações efetivas não forem tomadas, o aumento da temperatura pode atingir 2,9°C acima dos níveis pré-industriais.

    O estudo desta quinta (30) afirma que o aumento de 1,4ºC já trouxe uma prévia assustadora do que pode significar ultrapassar permanentemente 1,5ºC.

    O gelo marinho da Antártica atingiu sua menor extensão máxima no inverno já registrada. As geleiras suíças perderam cerca de 10% de seu volume nos últimos dois anos.

    E incêndios florestais foram registrados no Canadá, no Havaí, no sul da Europa, tempestades no norte da África e no Brasil, eventos extremos que deixaram milhares de mortos.

    Cientistas afirmam que fenômenos naturais como o El Niño, que aquece as águas do Pacífico, explicam parte dos desastres, mas ressaltam que a ação do homem torna os eventos mais extremos e frequentes. E dizem que o próximo ano pode ser pior, pois os impactos do El Niño provavelmente atingirão o pico e levarão a temperaturas mais altas em 2024.