Na Nigéria, 50 estudantes sequestrados conseguem escapar
Alunos de escola católica estavam em cativeiro desde sexta; gangues têm repetido cada vez mais estratégia para conseguir dinheiro em forma de resgates

Na Nigéria, 50 alunos que foram sequestrados em uma escola católica no norte do país na sexta-feira (21) retornaram para suas famílias após conseguirem escapar, informou a CAN (Associação Cristã da Nigéria) neste domingo (23).
Na ocasião, bandidos armados sequestraram 303 estudantes e 12 professores da escola católica particular St. Mary's, no estado de Níger, região centro-norte do país, na sexta-feira, segundo a CAN. Os alunos são meninos e meninas, alguns com apenas dez anos de idade.
"Os alunos escaparam entre sexta-feira e sábado e se reuniram com seus pais, pois não puderam retornar à escola após a fuga", disse o porta-voz do presidente da seção do estado de Níger da CAN, Dom Bulus Dauwa Yohanna, Daniel Atori, em um comunicado.
Atori disse que 253 crianças – incluindo 250 alunos da escola e três filhos de funcionários – e 12 professores permanecem em cativeiro.
Durante sua mensagem semanal na oração do Angelus, no domingo, o papa Leão XIII fez um apelo pela libertação dos estudantes e professores, instando “as autoridades competentes a tomarem decisões apropriadas e oportunas para garantir sua libertação”.
“Sinto muita dor, especialmente pelos muitos jovens que foram sequestrados e por suas famílias angustiadas”, disse ele.
O sequestro de sexta-feira (21) é apenas o mais recente de uma onda de ataques perpetrados por grupos armados que visam populações civis vulneráveis e orquestram sequestros em massa para obter resgate. O incidente levou ao fechamento temporário de algumas escolas federais e estaduais no norte da Nigéria, a fim de evitar novos ataques.
No início desta semana, homens armados atacaram uma igreja no estado vizinho de Kwara. Pelo menos duas pessoas foram mortas e vários fiéis, incluindo o pastor, foram sequestrados.
Homens armados também sequestraram 25 estudantes do sexo feminino durante uma invasão a um internato feminino do governo no estado de Kebbi, no noroeste do país. A vice-diretora da escola foi morta a tiros durante o ataque.
O país também enfrenta ataques com motivação religiosa e outros conflitos violentos decorrentes de tensões comunitárias e étnicas, bem como disputas entre agricultores e pastores pelo acesso limitado à terra e aos recursos hídricos.
Violência da Nigéria chama atenção dos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou frequentemente indignação com as alegações contestadas de um "massacre" de cristãos por insurgentes islâmicos, chegando a ameaçar com ação militar para proteger os cristãos.
Mas a realidade no terreno é mais complexa e cheia de nuances. Especialistas e analistas afirmam que tanto cristãos quanto muçulmanos — os dois principais grupos religiosos no país mais populoso da África — têm sido vítimas de ataques de islamitas radicais.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, reuniu-se na quinta-feira com o Conselheiro de Segurança Nacional da Nigéria, Mallam Nuhu Ribadu, para discutir a violência no país da África Ocidental.
“Sob a liderança [de Trump], [o Departamento de Guerra] está trabalhando intensamente com a Nigéria para acabar com a perseguição de cristãos por terroristas jihadistas”, disse Hegseth à emissora X.



