Ação da polícia causou a morte de George Floyd, dizem médicos

Julgamento do ex-policial entrou no 10º dia nos Estados Unidos

Heloísa Villela
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O décimo dia do julgamento do ex-policial Derek Chauvin, acusado de matar George Floyd, foi marcado por depoimentos que apontaram a ação da polícia como a causa da morte do ex-segurança. 

Nesta segunda semana de análise do caso, a promotoria mergulhou na causa da morte de Floyd, com apuração da autópsia, além de vídeos e fotos. Na autópsia, o médico legista Andrew Baker, que examinou o corpo, não encontrou nada anormal nos pulmões ou no coração do americano que pudessem indicar danos provocados pela Covid-19, parada cardíaca ou sinais de um derrame no cérebro.

Três especialistas afirmaram que ele morreu porque ficou sem oxigênio. O pneumologista Martin Tobin disse que o ex-segurança não parou de respirar, pois estava falando. Mas a respiração era limitada por causa da pressão dos joelhos do policial sobre o pescoço e as costas, pelas mãos algemadas que outro policial pressionava e pela posição, de barriga para baixo, no asfalto.

Simulação do assassinato de George Floyd por policiais (09.abr.2021)
Simulação do assassinato de George Floyd por policiais (09.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Revendo as fotos e imagens, Tobin destacou que Floyd tentou se virar de lado movendo os quadris e empurrando o corpo com a mão apoiada no pneu do carro, um esforço para respirar melhor. Os minutos passavam e o volume de oxigênio no sangue dele foi diminuindo por causa da respiração limitada.

O cérebro do ex-segurança sofreu uma convulsão por falta de oxigênio e parou, repetiu a patologista forense Lindsey Thomas. "Floyd morreu em consequência da atuação da polícia", afirmou.

Últimos momentos de George Floyd antes de ser morto (09.abr.2021)
Últimos momentos de George Floyd antes de ser morto (09.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Segundo os médicos, o movimento das pernas é um reflexo comum da convulsão cerebral. O coração também parou. "Nesse momento, a vida deixou o corpo dele”, disse Tobin.

A defesa argumenta que havia metanfetamina e fentanil no sangue de Floyd e que as drogas podem ter provocado problemas respiratórios e a parada cardíaca. Mas os especialistas rejeitaram a tese.

Até o chefe de polícia de Mineápolis testemunhou contra o policial, que demitiu 48 horas após a morte do ex-segurança. Os policiais também questionaram o comportamento de Derek Chauvin, classificando de uso desnecessário da força