Acidentes com helicópteros do Exército dos EUA registram índices históricos

Boletim oficial das Forças americanas sobre segurança de voo informou que pouco mais da metade dos acidentes com Apache ocorridos este ano deve-se principalmente a falhas humanas

Davis Winkie, da CNN
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Os helicópteros Apache do Exército dos Estados Unidos estão sofrendo acidentes graves em uma taxa historicamente alta, em meio a um problema generalizado na transmissão do modelo, segundo uma análise da CNN sobre dados de acidentes militares.

Esse tipo de helicóptero registrou cinco acidentes graves desde outubro; um caso fatal ocorrido no início deste mês no Texas — que matou dois militares e provocou um incêndio florestal — levou as Forças Armadas a proibir temporariamente os pilotos de Apache de realizar voos de treinamento de rotina.

Com esse acidente, o ano fiscal de 2026 caminha para ser o segundo pior em termos de acidentes de voo com o Apache desde que uma nova versão do AH-64 entrou em operação, em 2011.

O Exército anunciou que a suspensão dos voos de treinamento, da qual estavam isentas as unidades destacadas para o Oriente Médio, foi encerrada na quarta-feira (19).

A taxa de acidentes graves com o Apache neste ano — classificados pelo Exército como incidentes de "Classe A", categoria que abrange qualquer ocorrência que resulte em morte ou invalidez permanente de uma pessoa, na perda da aeronave ou em danos avaliados em US$ 2,5 milhões — supera a média de anos típicos e se equipara à taxa mais crítica registrada pela força no ano fiscal de 2024, conforme a análise de dados realizada pela CNN.

A taxa de acidentes baseia-se na relação entre o número de ocorrências e o total de horas de voo da aeronave; o cálculo utilizou dados divulgados publicamente e estimativas de horas de voo para o ano corrente fornecidas ao canal pelas Forças Armadas.

No ano fiscal de 2024, ocorreram nove acidentes graves envolvendo o Apache, em meio a um aumento geral de acidentes com todos os modelos de helicópteros do Exército.

Naquele ano, o comando das Forças Armadas determinou uma iniciativa especial de treinamento de segurança e atribuiu os acidentes a falhas humanas decorrentes da menor experiência dos pilotos e do aumento na intensidade e complexidade dos treinamentos, motivado pela invasão da Ucrânia pela Rússia e pelo novo foco na preparação para grandes conflitos.

No entanto, as causas do aumento registrado neste ano são menos claras. A edição de julho de um boletim oficial do Exército sobre segurança de voo informou que pouco mais da metade dos acidentes com Apache ocorridos este ano — incluindo incidentes de menor gravidade — deve-se principalmente a falhas humanas.

Não se sabe ao certo quantos dos acidentes mais graves foram causados ​​por falhas no equipamento, mas a publicação mencionou que "uma falha catastrófica na transmissão foi constatada em um incidente de Classe A".

A CNN estimou a taxa de acidentes graves com helicópteros Apache neste ano em aproximadamente 6,24 a cada 100 mil horas de voo.

Até o momento no ano fiscal de 2026, ocorreram cinco incidentes de voo de Classe A envolvendo esse helicóptero de ataque. Até 15 de agosto, o Apache havia voado aproximadamente 80.171 horas.

Esse número combina as 42.971 horas registradas até 31 de março — conforme consta no boletim informativo interno de segurança do Exército — e uma estimativa fornecida à CNN por um porta-voz de segurança da força, indicando que os pilotos haviam registrado cerca de 37.200 horas de voo adicionais até 15 de agosto.

Em comparação, o ano fiscal de 2024 registrou uma taxa de 7,02 acidentes graves por 100 mil horas de voo para a aeronave.

O Apache modelo E, introduzido em 2011, enfrentou problemas significativos este ano em sua transmissão, falhas que poderiam comprometer o rotor de cauda, ​​o sistema elétrico e o sistema hidráulico da aeronave, segundo duas mensagens internas de segurança obtidas pela CNN.

A perda desses sistemas pode fazer com que o helicóptero entre em um giro descontrolado repentino e, potencialmente, inutilize os comandos de voo.

Até meados de julho, a causa dos problemas permanecia "sob investigação", conforme uma mensagem de segurança divulgada na época.

O porta-voz do Exército, major Montrell Russell, recusou-se a responder a perguntas sobre a investigação da transmissão ou a divulgar quaisquer "conclusões preliminares" a respeito das causas do acidente fatal ocorrido este mês em Fort Hood, no Texas.

"Expressamos nosso profundo pesar pela perda dos dois militares perto de Fort Hood", disse Russell em comunicado à CNN.

Ele afirmou que "controles especiais e restrições de divulgação" impedem a instituição de fornecer informações técnicas detalhadas sobre a aviação, incluindo quantos dos acidentes deste ano estão relacionados à transmissão dos helicópteros.

O comunicado de segurança inicial de abril, divulgado primeiramente pela publicação especializada "Defense One", identificou 70 transmissões potencialmente defeituosas e ordenou que todas as unidades suspendessem os voos das aeronaves Apache afetadas até que os reparos fossem realizados.

Um comunicado posterior, enviado em meados de julho, informou que a causa raiz permanecia "sob investigação" e acrescentou mais 10 transmissões suspeitas à lista de aeronaves proibidas de voar.

Somados, os dois comunicados de segurança afetaram cerca de um décimo da frota de helicópteros de ataque do Exército.

No início de junho, um representante do Exército informou à CNN que todos os Apaches afetados continuavam em solo; as Forças Armadas não responderam às perguntas da CNN sobre quantos deles — se é que houve algum — retornaram às operações de voo desde então.

Enquanto isso, os problemas nas transmissões do Apache continuam sendo mencionados em documentos de voo do Exército.

A CNN obteve uma ordem interna do Exército, datada de 14 de agosto, que citava formalmente os dois comunicados de segurança sobre as transmissões como referência para a suspensão dos voos de treinamento da força, medida adotada após o acidente ocorrido no Texas.

Russell ressaltou que "incluir esses comunicados nas revisões de segurança não implica que eles tenham sido a causa de qualquer incidente específico".

A fabricante do Apache, a Boeing, enviou equipes aos centros de manutenção do Exército para auxiliar na inspeção e no reparo das transmissões, conforme indicado na ordem do Exército.

O Exército e a Boeing não responderam a perguntas sobre como identificaram as peças potencialmente defeituosas.

Um porta-voz da Boeing confirmou à CNN que a empresa está "apoiando a investigação do Exército dos EUA para garantir a prontidão operacional e a segurança de quaisquer aeronaves afetadas", mas encaminhou outras perguntas ao Exército.

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