‘Afeganistão não é apenas guerra e crise humanitária’, diz estudante brasileiro

Luca Bassani viajou ao país entre os meses de junho e julho deste ano, quando o Talibã já avançava nas províncias menores da região

Produção de Bel Campos e Letícia Brito, da CNN em São Paulo

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O estudante brasileiro Luca Bassani viajou ao Afeganistão entre os meses de junho e julho deste ano. Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (18), ele relatou a experiência de visitar o país.

“O Afeganistão não é apenas guerra, um cenário de crise humanitária. Há uma natureza lindíssima, montanhas, nevadas, vales com rios que são realmente incríveis, belas mesquitas, um povo encantador e muito hospitaleiro, que fica refém dessa situação”, contou ele.

Segundo Bassani, os militantes do Talibã já estavam avançando nas províncias menores do Afeganistão na época em que visitou o país, mas decidiu viajar para a região mesmo depois da decisão dos americanos em retirar as tropas do território.

“Já tinha noção que poderia ter uma mudança de paradigma muito grande, então tomei uma decisão rápida e fui em junho, julho deste ano. Eu tenho interesse na região, tanto no Oriente Médio, quanto na Ásia Central, e também na história soviética. Já visitei as 15 ex-repúblicas soviéticas”, disse.

Bassani contou ainda que rodou bastante pelo Afeganistão e percebeu que a população majoritariamente urbana e jovem nao era a favor da invasão dos Estados Unidos no país, mas a favor do modelo de governo que os americanos ajudaram a criar durante esses 20 anos de invasão.

“Por mais que o governo fosse corrupto e cheio de falhas, havia uma certa sensação de eleições livres, de uma imprensa relativamente democrática e também todos os direitos das mulheres garantidos pela Constituição. Agora, com os Talibãs isso muda radicalmente.”

Fotos – a crise no Afeganistão

Além disso, de acordo com o estudante, o grupo tem certo apoio dentro da sociedade afegã. “Mas se isso representa os anseios da maior parte da população, principalmente dos jovens, acho difícil, e acredito que eles gostariam de achar um meio termo.”

O brasileiro, que se considera um “entusiasta de viagens”, já esteve em 91 países e pretende conhecer todos. “Visitar todos os países também é visitar aquele que oferece um maior risco ao viajante”, disse ele.

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