Aliada de Navalny foge da Rússia enquanto assessores recebem cartas com ameaças

Violetta Grudina disse que "não havia escolha" e que "a prisão estava reservada"

Alexei Navalny, principal opositor do governo do Kremlin
Alexei Navalny, principal opositor do governo do Kremlin Foto: Reuters

Tom Balmforthda Reuters

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Uma aliada ativista do crítico do Kremlin Alexei Navalny disse à Reuters nesta quinta-feira (27) que fugiu da Rússia para evitar ser presa, enquanto dois de seus principais assessores disseram ter recebido cartas com ameaças a si mesmos e suas famílias.

Violetta Grudina, de 32 anos , que foi impedida de concorrer às eleições no ano passado na cidade portuária de Murmansk, no Ártico, disse que fugiu com seu filho de 11 anos e seu cachorro em dezembro. Ela se recusou a revelar sua localização e disse apenas que estava na Europa.

“A princípio, eu estava preparada para ficar na Rússia e ir para a prisão… (Mas) eu tinha que pensar em meu filho e sair para garantir um futuro seguro para ele”, disse Grudina por telefone.

Ela se recusou a dizer exatamente como conseguiu sair da Rússia – Grudina estava impedida de sair da cidade -, mas disse que foi extremamente desconfortável, levou vários dias e envolveu transporte de carro, avião, ônibus e a pé.

“Não havia muita escolha. Estou em uma lista de procurados na Rússia e a prisão está reservada para mim”, disse Grudina em uma mensagem curta enviada pelo aplicativo Telegram.

Com a fronteira mais próxima fechada por causa das restrições do coronavírus, ela só tinha uma estrada saindo de Murmansk em direção a São Petersburgo quando saiu à noite e estava realmente preocupada que eles fossem parados, afirmou a ativista.

Ela se juntou a várias figuras da oposição ao deixar a Rússia no ano passado durante uma repressão que se intensificou depois que Navalny foi preso após se recuperar de um envenenamento com uma neurotoxina.

Desde então, a rede política nacional de Navalny foi desmantelada e banida como extremista e o crítico do Kremlin está preso. Ele e alguns de seus aliados mais próximos foram adicionados a uma lista oficial de “terroristas e extremistas”.

A equipe de Navalny disse nesta quinta-feira que dois desses assessores que agora vivem fora da Rússia, Ivan Zhdanov e Leonid Volkov, receberam cartas anônimas dizendo: “Nós sabemos onde você mora. Não queremos que você e sua família se sintam seguros, queremos que você se lembre disso enquanto trabalha”.

Volkov disse no Instagram que a “carta da pátria” foi entregue em seu endereço residencial.

“Recebemos essas cartas ao mesmo tempo em que fomos incluídos na ‘lista de extremistas e terroristas’, e isso não parece coincidência: sabemos quais métodos Putin usa para combater aqueles que ele considera ‘terroristas’. Mas não vamos mudar nada em nosso trabalho”.

Impedida de concorrer às eleições

Grudina planejava concorrer a um assento no conselho da cidade de Murmansk, em setembro passado, enquanto a repressão ganhava força.

Mas, depois de ser barrada da corrida eleitoral, ela disse que foi vítima de uma campanha de intimidação e que viu seu escritório ser alvo de tiros. A certa altura, ela disse que foi internada em um hospital para tratamento de Covid-19 que ela não queria ou precisava.

O Kremlin se recusou a comentar as alegações de Grudina. Ele nega ter como alvo políticos da oposição e diz que as pessoas só são levadas ao tribunal se infringirem a lei.

A prefeitura local e os gabinetes do governador não responderam aos pedidos de comentários sobre as alegações de Grudina na época.

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