Aliados dos EUA tentam organizar negociações com Irã, dizem fontes
Países querem evitar novos ataques americanos contra o território iraniano, algo que poderia escalar para uma guerra regional

Os esforços diplomáticos para evitar um ataque dos Estados Unidos ao Irã estão se intensificando, segundo autoridades americanas e de outros países ocidentais.
Alguns mediadores regionais avaliam um possível encontro entre autoridades iranianas e o enviado diplomático americano Steve Witkoff ainda nesta semana.
De toda forma, esse encontro ainda não está agendado e permanece incerto se o Irã estaria disposto a atender às condições impostas pelos EUA para chegar a um acordo.
Witkoff deve viajar para o Oriente Médio no início desta semana para reuniões em Israel, bem como para mais uma rodada de negociações entre Ucrânia e Rússia em Abu Dhabi, disseram as autoridades
Isso faria com que ele já esteja na região para caso um encontro se concretize.
Os esforços para intermediar uma solução diplomática estão sendo liderados por Catar, Turquia e Egito. Nos últimos dias, o governo turco se ofereceu para sediar conversas presenciais entre os EUA e o Irã em Ancara.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no sábado (31) que o Irã está "conversando seriamente" com os Estados Unidos, embora tenha se recusado a dizer se já decidiu sobre um possível ataque militar contra o regime.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".


