Ameaça a vizinhos é tentativa do Irã de evitar isolamento, diz professor
Professor Alexandre Pires afirma que o Irã ameaça nações com bases americanas como forma de pressão e para impedir que se unam em possíveis operações de mudança de regime
As recentes declarações do Irã sobre possíveis ataques militares contra países vizinhos que abrigam bases americanas representam uma tentativa estratégica de evitar o isolamento regional, segundo o professor Alexandre Pires, especialista em Relações Internacionais do Ibmec, em entrevista ao Live CNN.
De acordo com Pires, essas ameaças têm um objetivo claro: pressionar nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, aliados dos Estados Unidos na região. "Como ele não consegue atingir militarmente os Estados Unidos em seu território, ele ameaça esses vizinhos que têm bases militares, interesses econômicos, são produtores de petróleo, ou seja, tudo de modo a afetar os Estados Unidos", explicou.
O especialista destacou que, apesar de compartilharem a religião muçulmana, os países do Oriente Médio têm alinhamentos políticos distintos. "A única coisa em comum é que são muçulmanos, mas são alinhados e aliados dos Estados Unidos. Não tem nenhuma possibilidade ali de junção", afirmou Pires, descartando a possibilidade de uma união regional contra os interesses americanos.
Estratégia contra mudança de regime
Outro aspecto importante da estratégia iraniana, segundo o professor, é impedir que países vizinhos participem de possíveis operações de mudança de regime no Irã. "É a tentativa de não se isolar e também de fazer com que esses países não se juntem a uma operação de mudança de regime", pontuou.
Pires explicou que já existem forças de inteligência israelense e americana operando no Irã, mas a situação ficaria ainda mais complicada para o regime iraniano se agentes de inteligência de países muçulmanos também se envolvessem. "Ficaria mais difícil para o regime conseguir evitar esse tipo de infiltração", concluiu.
O especialista também analisou a complexidade de possíveis ataques externos ao Irã, destacando a dificuldade de localizar alvos estratégicos como o líder supremo aiatolá Ali Khamenei e os principais generais da Guarda Revolucionária, força militar que responde diretamente à liderança religiosa do país e não ao exército convencional.


