Análise: A mesma solução não serve para todos: Por que a Ucrânia não é Gaza
Zelensky pode estar em uma situação difícil, mas a população ainda o apoia, diz especialista

Quando o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro, Jared Kushner, foram a Tel Aviv em outubro, receberam uma recepção calorosa dos israelenses.
Embora o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e membros de seu governo estivessem bastante felizes, de fato ansiosos, para continuar a luta em Gaza, a maioria em Israel não estava. Eles queriam que a guerra terminasse.
Mesmo que os dois americanos não tivessem recebido a mesma recepção estrondosa em Gaza, o sentimento predominante entre os palestinos era de alívio, pois a campanha de bombardeios parecia estar chegando ao fim.
Em outras palavras, ambas as sociedades queriam a mesma coisa básica que os americanos estavam prometendo.
Isso não é o caso na Ucrânia, e talvez seja o principal erro que os enviados de Trump estão cometendo.
A Ucrânia pode estar perdendo terreno no campo de batalha, mas seu exército não está prestes a entrar em colapso.
Os suprimentos de energia em todo o país podem ser interrompidos, mas os ucranianos já estão acostumados com isso, e o racionamento de energia é previsível.
Zelensky pode ser prejudicado por um escândalo de corrupção que se aproxima preocupantemente de sua porta, mas ele não foi pessoalmente implicado, e suas taxas de aprovação – embora mais baixas do que as que ele desfrutava nas fases iniciais da guerra – ainda são bastante boas.
O presidente da Ucrânia pode estar em uma situação difícil, em outras palavras, mas seu povo continua apoiando-o.
“O apetite público não existe para essas grandes concessões conforme apresentadas no plano (americano),” diz Orysia Lutsevych, do think tank Chatham House, de Londres.
“A Ucrânia,” acrescenta ela, “sempre foi subestimada.”



