Análise: Ação de Trump na Venezuela é motivada por geopolítica e ideologia
Decisões de Donald Trump em relação à Venezuela são motivadas principalmente por questões geopolíticas e ideológicas, com foco na projeção de poder na América Latina. A análise é de Lourival Sant'Anna
A recente escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela não tem como fator determinante a questão petrolífera, considerando que os EUA são atualmente o maior produtor mundial de petróleo e não dependem do produto venezuelano para sua segurança energética. A análise é de Lourival Sant'Anna ao CNN Prime Time.
"O que motiva essa operação são questões geopolíticas e ideológicas", explica Lourival, que continua: "Geopolíticas porque o governo do presidente Trump está recolhendo a sua projeção militar, de poder, sobre a Ásia e sobre a Europa. Ele está concentrando essa projeção de poder sobre o Hemisfério Ocidental, sobre a América Latina, e está usando a Venezuela como demonstração de força."
Questão do narcotráfico como pretexto
Segundo Lourival, o argumento de combate ao narcotráfico tem sido utilizado como justificativa para as ações americanas, embora a Venezuela represente apenas cerca de 5% do fluxo de cocaína que chega aos EUA. A principal epidemia de drogas nos Estados Unidos está relacionada ao fentanil, cujos ingredientes vêm da China e são produzidos no México e entram pela fronteira.
A dimensão ideológica se manifesta no desejo de alinhar os principais países da América Latina com a visão política norte-americana. A Venezuela, sendo um país de grande relevância geográfica e estratégica na região, além de importante apoiador de Cuba, torna-se um alvo significativo nessa estratégia.
"Uma prova de que a questão ideológica é mais importante até mesmo do que a questão do narcotráfico é que Trump está prometendo indultar o ex-presidente de Honduras, Juan Hernández, que foi condenado pela justiça americana a 45 anos por levar toneladas de cocaína para os EUA. Trump quer apoiar Hernández porque ele é de direita, no contexto da eleição em Honduras", esclarece Lourival Sant'Anna.


