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    Análise: Acordo entre Mercosul e União Europeia provavelmente não sairá do papel

    Interesses contrários, e muitas vezes contraditórios, entre os países da União Europeia e indecisão argentina ameaçam resolução

    Bandeiras do Mercosul e da União Europeia.
    Bandeiras do Mercosul e da União Europeia. Reprodução

    Américo Martinsda CNN

    Enviado especial a Dubai, Emirados Árabes Unidos

    As recentes declarações de líderes europeus mostram como é difícil fechar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

    Se, por um lado, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que é contra a resolução, por outro, o chanceler alemão, Olaf Shcolz, deu apoio à negociação na reunião que teve com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Berlim, nesta segunda-feira (4).

    Isso mostra os interesses contrários, e muitas vezes contraditórios, entre os países da União Europeia.

    Alguns têm muito a ganhar com o acordo, como a própria Alemanha, pois poderiam exportar produtos acabados, maquinários e vários outros itens com alto valor agregado e com valores mais competitivos para as economias do Mercosul.

    A França também seria beneficiada com essas vantagens, mas tem interesse em proteger os seus pequenos produtores rurais, que sofreriam muito na competição com o vigoroso agronegócio do Brasil e da Argentina, por exemplo.

    Esse receio com o agronegócio é compartilhado por outros países do bloco europeu, como Polônia e Irlanda.

    Então, é muito provável que esse acordo não saia do papel dentro do limite estabelecido pelo presidente Lula: o dia 7 de dezembro, quando termina a presidência do Brasil no Mercosul.

    Do lado sul-americano, a indecisão também joga contra o acordo. A Argentina, por exemplo, não deixou clara qual a sua posição, às vésperas da posse de Javier Milei.

    O economista assumirá o governo argentino apenas três dias depois da reunião de cúpula do Mercosul que vai decidir se as nações continuarão tentando fechar um acordo ou se vão desistir após 23 anos de discussões.

    O presidente Lula disse que vai insistir até receber um “não” de todos os líderes, o que é muito provável que aconteça. Outros países afirmaram que não teriam interesse em continuar as tratativas após o fim da presidência brasileira no Mercosul, como é o caso do Paraguai, que vai assumir a cadeira do Brasil no comando do bloco sul-americano.

    Com a declaração forte de Macron contra o acordo, a dúvida em relação à participação argentina e o limite dado por Brasil e Paraguai, é muito possível que esse acordo não saia do papel.