Análise: Aparato repressivo do regime iraniano está intacto

Segundo análise de Lourival Sant'Anna, ao Agora CNN, apesar dos ataques, o aparato do regime iraniano permanece intacto, dificultando mudanças políticas no país

Da CNN Brasil
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Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada neste domingo (1º) revelou que apenas um em cada quatro americanos aprova os ataques dos Estados Unidos que resultaram na morte de um líder iraniano. O dado mostra a baixa popularidade da operação militar entre a população americana. Análise é de Lourivana Sant'Anna, ao Agora CNN.

"O aparato repressivo do regime está intacto. Ele é formado por várias camadas: tem o corpo da guarda revolucionária iraniana, você tem os Basij, que são a polícia moral, que fazem aquelas perseguições das mulheres e que também mantém a disciplina da população, e as próprias forças armadas e a polícia", explicou Sant'Anna.

Acrescentando: "E a principal função deles é, covardemente - é preciso dizer, é defender o regime contra a população".

Repressão interna dificulta mudança de regime

O analista ressaltou que estas forças de segurança têm como principal função defender o regime contra a própria população iraniana. "Nós estamos vendo como militarmente o Irã é frágil quando enfrenta outros países, mas internamente eles são muito ferozes", afirmou.

Sant'Anna, que esteve quatro vezes no Irã, testemunhou pessoalmente a repressão em 2009, durante protestos contra a fraude eleitoral na reeleição de Mahmoud Ahmadinejad.

"Eu vi os jovens corajosamente enfrentando a polícia, sendo algemados com lacres de náilon, jogados em camburões, levados para a prisão de Evian, da qual muitos deles nunca mais saíram", relatou: "É um regime brutal".

"Então, falta uma ponte entre esse anseio de derrubar esse regime, que é muito rejeitado, e como chegar lá, como enfrentar esse aparato repressivo que está intacto", questionou o analista.

Limites da intervenção externa

O analista destacou que, apesar dos ataques recentes dos EUA terem afetado a capacidade militar iraniana, isso não é suficiente para provocar uma mudança de regime.

"Uma coisa é você destruir os mísseis, a marinha de guerra, as defesas antiaéreas, até mesmo as milícias que estão fora do Irã, apoiadas pelo Irã, os grupos terroristas. Isso é uma coisa, isso é importante geopoliticamente. Mas internamente seria necessário desmantelar esse aparato repressivo e ele está intacto", explicou.

Sant'Anna também criticou declarações de figuras como Donald Trump e Reza Pahlavi (descendente do último xá iraniano) que incentivam os iranianos a irem às ruas. "Isso é quase irresponsável dizer isso, porque nós vemos como eles são tratados nas ruas. Milhares de iranianos foram mortos, sobretudo em janeiro, dezenas de milhares foram presos e sem nenhum recurso, sem nenhum direito à defesa", afirmou.

O analista concluiu que não há uma oposição organizada no Irã capaz de derrubar o regime atual. "Não há uma organização, não há uma oposição organizada, não há partidos e muito menos grupos armados, que seriam necessários. Seria necessária uma guerra civil agora para derrubar esse regime".

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