Análise: Curdos lutam com o Irã por falta de opção e por sobrevivência

Conhecidos como "povo sem amigos", curdos são minoria e enfrentam oposição à criação de um Estado próprio, segundo análise de Lourival Sant'Anna ao CNN Prime Time

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Conhecidos como "o povo sem amigos", os curdos enfrentam uma realidade complexa no Oriente Médio, onde estão espalhados como minorias em diversos países, incluindo Irã, Iraque, Síria, Líbano e Turquia. Segundo a análise de Lourival Sant'Anna, ao CNN Prime Time, esses povos vivem sem condições de criar um Estado próprio, já que todos os países onde habitam se opõem à formação de um país chamado Curdistão.

"Esse jogo entre Irã e Iraque é um jogo tradicional", relatou Sant'Anna: "Na guerra Irã-Iraque, o regime iraniana apoiava curdos separatistas no norte do Iraque, e o regime de Saddam Hussein apoiava curdos separatistas no Irã".

Acrescentando: "Os curdos precisam fazer esse jogo pela sua própria sobrevivência".

Alianças estratégicas por necessidade

Durante a guerra civil na Síria, os Estados Unidos se aliaram aos curdos, assim como a outros grupos árabes secularistas e pró-democracia, armando e treinando esses combatentes.

Lourival Sant'Anna, que cobriu o conflito, relatou que os guerrilheiros curdos, conhecidos como peshmergas ("aqueles que enfrentam a morte"), foram os únicos que realmente enfrentaram o Estado Islâmico quando este invadiu o norte do Iraque.

"O exército iraquiano fugiu sem lutar, sumiu. Mas os curdos, e não é por religião, é pela existência, pela sobrevivência de seu povo", destacou Sant'Anna, que acompanhou os pechmergas no fronte. Ele ressalta que homens e mulheres lutam juntos nessa batalha pela sobrevivência.

"Os Estados Unidos, mais uma vez, lançam mão disso, embora tenham traído os curdos na Síria", apontou o analista, r quando Washington aceitou, junto à Turquia, que Ahmad Sharia, inimigo dos curdos e ex-líder da Al-Qaeda na Síria, tomasse o poder.

"Os curdos ficaram abandonados mais uma vez, tiveram que lutar pela sua própria sobrevivência, com a Turquia também indo contra eles", explica.

Agora, com a recente notícia de que a CIA pretende fomentar uma rebelião dos curdos no Irã, Sant'Anna analisa que eles aceitam novamente aderir a esse jogo porque "não têm alternativa, não têm apoio". Segundo o analista, os curdos vão usar suas capacidades e coragem para fazer incursões no Irã, mesmo sob pressão do governo iraniano, que tem forte projeção sobre o Iraque desde a invasão americana àquele país.

O chanceler iraniano chegou a ligar para o presidente do Curdistão para pressionar contra o envolvimento curdo em operações contra o Irã. Embora o presidente curdo tenha garantido que os grupos não se envolveriam, Sant'Anna ressalta que "cada grupo tem a sua autonomia e vai sim decidir o que é melhor para cada um".

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.