Análise: Discurso de Trump é incisivo, mas não surpreende

Fernanda Magnotta avalia que o presidente americano focou em economia, imigração e política externa, evocando a "Era Dourada" dos EUA em fala de mais de uma hora e meia

Da CNN Brasil
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Sem surpresas significativas, Trump apresentou em seu discurso do Estado de União um tom incisivo em diversos momentos ao abordar temas cruciais para o cenário atual dos Estados Unidos. De acordo com a análise da especialista em relações internacionais Fernanda Magnotta, o presidente americano concentrou sua fala em três pilares fundamentais: economia doméstica, imigração e política externa.

Sobre o Irã, tema que gerava expectativas e temores, Trump não mencionou o início de uma guerra, mantendo o discurso no campo das negociações sobre um acordo nuclear.

"O presidente Trump abriu e fechou esse discurso falando dos Estados Unidos como sendo um país que revive a sua era de ouro", destacou a analista. Esta expressão, segundo Magnotta, não é casual e remete à chamada "Gilded Age" (Era Dourada) do final do século XIX. Este foi um período caracterizado pela expansão industrial, crescimento em infraestrutura, autonomia econômica por meio de tarifas protecionistas e forte nacionalismo.

Polarização e protestos

O cenário de polarização política nos Estados Unidos ficou evidente durante o pronunciamento. Vários democratas usaram símbolos de protesto, como pins da Ucrânia em referência ao apoio à guerra, plaquinhas pedindo a publicação de denúncias contra Trump em escândalos sexuais, e críticas ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas).

Um momento notável foi quando o congressista Al Green foi retirado do Congresso no início do discurso por carregar um cartaz com os dizeres "pessoas negras não são macacos". Trata-se de uma referência a uma polêmica recente envolvendo um vídeo compartilhado por Trump que tratava o casal Obama dessa maneira.

Segundo Magnotta, poucos foram os momentos em que as duas alas do Congresso estiveram em uníssono durante a fala presidencial, como quando Trump mencionou o combate à violência política. A especialista observou ainda que o presidente atribuiu sistematicamente os problemas do país à "herança maldita" de seu antecessor, Joe Biden, enquanto destacava sua própria gestão como a melhor da história americana.

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