Análise: EUA e Irã travam guerra de narrativas sobre objetivos conquistados
Segundo Fernanda Magnotta, secretário de Defesa americano afirma que os EUA venceram a guerra, enquanto o Irã também reivindica vitória em disputa típica do mundo político
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que os americanos venceram a guerra contra o Irã e praticamente destruíram as forças militares do país. A analista de Internacional Fernanda Magnotta observa, porém, que o lado iraniano também reivindica vitória no conflito, evidenciando uma clara disputa de narrativas entre as duas nações.
Segundo a analista, essa disputa de narrativas é típica do mundo político e particularmente sensível em tempos de guerra. "Quem vai atribuir razão a essas frases, quem vai dizer quem realmente tem motivos para dizer isso é o tempo. O tempo é o senhor da razão no campo da política internacional", comentou Magnotta durante o CNN 360º desta quarta-feira (8).
Magnotta ressalta que os Estados Unidos estão tentando construir a ideia de que seus objetivos no Irã eram exclusivamente militares, desviando o foco dos objetivos políticos que o próprio Trump havia mencionado anteriormente. "A meta era uma meta política, era reverter o regime, era destituir os ayatolás, substituir a estrutura de comando do Irã. Esses objetivos políticos claramente não foram alcançados", afirmou.
Ganhos militares versus objetivos políticos
Diante da impossibilidade de reivindicar o sucesso na troca de regime iraniano, a Casa Branca tem enfatizado os ganhos obtidos no campo de batalha. Segundo a comunicação oficial dos EUA, foram alcançados objetivos como diminuição do alcance das forças navais iranianas, retardamento da capacidade do programa de mísseis balísticos, atraso no enriquecimento de urânio e impacto na capacidade produtiva industrial do complexo militar iraniano.
O acordo preliminar que estaria sendo negociado com mediação do Paquistão para discutir um cessar-fogo entre os dois países não inclui, até o momento, concessões do ponto de vista do programa nuclear iraniano. Isso representa um revés para a administração Trump, que havia iniciado o conflito afirmando que não permitiria o avanço do programa nuclear iraniano.
"Na medida em que a Casa Branca aceita como base os termos desses 10 pontos sem que necessariamente haja uma concessão clara em relação ao programa nuclear iraniano, é como se o governo Trump estivesse descendo um pouco a barra, aceitando flexibilizar mais os termos", analisou Magnotta, sugerindo que isso reforça a ideia de que os iranianos estariam em posição de negociação mais favorável.


