Análise: EUA e Israel não conseguem conter aspecto econômico no conflito

Américo Martins aponta que, apesar do poderio bélico americano e israelense no Oriente Médio, o Irã consegue pressionar adversários ao fechar o Estreito de Ormuz

Da CNN Brasil
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Estados Unidos e Israel estão dominando militarmente o conflito no Oriente Médio, mas, de acordo com o analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, enfrentam significativos desafios econômicos impostos pelo Irã.

Segundo Martins, em análise no Bastidores CNN desta segunda-feira (16), os dois países conseguem atacar praticamente qualquer alvo dentro do território iraniano, sem grande oposição. "Os Estados Unidos e Israel estão, do ponto de vista militar, vencendo esse conflito. Não há a menor dúvida", afirmou o analista.

O presidente Donald Trump chegou a declarar que os EUA destruíram praticamente toda a marinha e força aérea iranianas. No entanto, apesar desse poderio militar, o Irã encontrou uma forma eficaz de pressionar seus adversários: usando a economia como arma de guerra.

O Irã conseguiu fechar o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo, utilizando armamentos simples e de baixo custo. "O Irã não precisa de uma marinha para atingir os petroleiros no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Não precisa de mísseis caríssimos para fechar o Estreito de Ormuz", explicou Américo Martins.

Desde o início do confronto, 16 embarcações, entre cargueiros e petroleiros, foram atacadas nas águas do Golfo e do Estreito de Ormuz, causando um impacto significativo nos preços do petróleo e, consequentemente, na inflação mundial.

"O Irã hoje é uma superpotência em termos de drones, fabrica muitos drones. Explosivos até improvisados podem ser lançados contra os navios", destacou Martins, ressaltando que o país consegue exercer pressão econômica significativa mesmo com armamentos relativamente simples. "Nesse ponto de vista, o Irã está conseguindo ser bem sucedido", completa.

Diante desse cenário, o presidente Donald Trump tem pressionado aliados europeus a enviarem ajuda militar para tentar liberar o Estreito de Ormuz. No entanto, segundo o analista, os principais países da Europa estão resistindo a essa ideia.

Martins relata que o ministro da Defesa da Alemanha questionou ironicamente: "O que Donald Trump espera que algumas fragatas europeias possam fazer no Estreito de Ormuz que a poderosíssima marinha dos Estados Unidos não possa?".

Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi mais cauteloso e afirmou que o Reino Unido "não vai ser dragado para a guerra", embora esteja disposto a discutir possíveis ações para proteger Ormuz.

O analista concluiu que não existe uma solução militar para este impasse. "Você pode mandar muitos navios da Marinha Americana, da Marinha de vários países da Europa para o Estreito de Ormuz, e eles podem ser atacados por esses armamentos simples", alertou.

"Imagina o impacto que teria, do ponto de vista da propaganda, um grande navio ocidental sendo atingido, pegando fogo, com esses ataques com essas armas simples do Irã", acrescentou Martins.

Para o analista, a resolução do conflito passa necessariamente por algum tipo de negociação com o Irã, que está usando estrategicamente o petróleo e a economia para pressionar os adversários, enquanto busca garantir a sobrevivência do regime, mesmo tendo perdido militarmente em diversos aspectos.

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