Análise: Europa está preocupada com possibilidade de conflito maior

Analista sênior da CNN, Américo Martins, aponta preocupação de cidadãos europeus com escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia

Da CNN Brasil
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A possibilidade de um conflito de maiores proporções tem gerado apreensão real entre os europeus, conforme revela o analista sênior de internacional da CNN Américo Martins. Pesquisas recentes, inclusive uma realizada pelo Instituto YouGov em vários países europeus, indicam que parte significativa da população acredita na possibilidade de um conflito mais amplo.

Dois fatores principais alimentam essa preocupação, segundo o analista. O primeiro é o enfraquecimento da ordem mundial, com a percepção crescente de que a ONU não tem poder para resolver conflitos. Além disso, a mudança de postura dos Estados Unidos, país tradicionalmente visto como fiador da paz na Europa, tem causado nervosismo, especialmente com a postura de Donald Trump estimulando uma corrida armamentista.

Alianças preocupantes e corrida armamentista

O segundo fator é a aliança entre Rússia, Irã e Coreia do Norte, com esta última enviando soldados para lutar contra a Ucrânia. A compra de armamentos, especialmente drones iranianos, pela Rússia, e as excelentes relações desses países com a China, principal rival dos EUA, aumentam a tensão.

Martins ressalta que essa é a maior guerra em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, o que naturalmente assusta os europeus, especialmente os países mais próximos à Rússia. As declarações provocativas de autoridades russas, embora consideradas "bravatas" pelo analista, causam preocupação na população.

A ideia de uma pacificação com Trump no poder não é vista com credibilidade pelos europeus. Pelo contrário, muitos países europeus estão cortando gastos sociais para aumentar investimentos em defesa, ainda que estes permaneçam insuficientes para uma defesa autônoma.

O papel da Alemanha

Quanto à Alemanha, Martins lembra que o país é o segundo maior contribuidor de recursos para a Ucrânia, atrás apenas dos Estados Unidos. O novo governo alemão de centro-direita, liderado pelo chanceler Friedrich Merz, adotou uma postura mais dura em relação à Rússia, liberando a produção conjunta de mísseis de longo alcance com a Ucrânia, o que já provocou a irritação do Kremlin.

Apesar das tensões, Martins considera exagerado falar em Terceira Guerra Mundial, embora não descarte a possibilidade de múltiplos conflitos simultâneos em diferentes regiões.

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