Análise: Groenlândia sempre foi da Dinamarca e não existe dúvida

Durante discurso em Davos, Trump chamou de "estupidez" a decisão dos EUA de permitir que a Dinamarca mantivesse a ilha após a Segunda Guerra Mundial; análise é de Fernanda Magnotta no CNN 360°

Da CNN Brasil
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As recentes declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia reacenderam discussões sobre a soberania do território ártico. Durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump afirmou que os Estados Unidos foram "estúpidos" ao permitir que a Dinamarca mantivesse a Groenlândia como seu território após protegê-la do domínio alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

A analista de Internacional Fernanda Magnotta esclareceu, no CNN 360°, que do ponto de vista da soberania e do direito internacional, a situação é clara. "A Groenlândia foi, é e, em tese, deveria continuar sendo do reino da Dinamarca", afirmou. Segundo ela, a ocupação dinamarquesa na ilha ocorre há longo tempo, com cidadãos dinamarqueses estabelecidos na região há décadas, superando em número as populações originárias locais.

Interesse histórico dos EUA na região

Magnotta destacou dois momentos históricos importantes na relação triangular entre Estados Unidos, Groenlândia e Dinamarca. O primeiro ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando a ilha foi invadida pelos nazistas, representando uma ameaça à segurança americana. "Os americanos entraram em ação visando expulsar para mais longe, enviar de volta para casa do seu território mais imediato os nazistas", explicou a analista.

O segundo momento crucial foi durante a Guerra Fria, quando a Groenlândia se tornou uma "peça-chave" no contexto da disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Nesse período, os americanos instalaram a base aérea de Thule, estrategicamente localizada para garantir alerta antecipado de mísseis soviéticos e monitorar o Ártico, promovendo a defesa do território americano.

Este não é o primeiro interesse americano em adquirir o território. Em 1946, o presidente Harry S. Truman tentou comprar a Groenlândia, proposta que foi recusada pela Dinamarca. Em 2019, durante seu primeiro mandato, Trump também manifestou interesse em adquirir a ilha, sendo igualmente rejeitado.

Implicações geopolíticas atuais

A analista explicou que o interesse renovado pela Groenlândia tem dois principais fatores: sua posição geopolítica estratégica e, mais recentemente, o derretimento da calota polar devido ao aquecimento global, que está abrindo novas rotas comerciais, tornando a região economicamente relevante.

Segundo Magnotta, Trump tem duas opções além de desistir do objetivo: empregar meios militares, o que representaria um ataque a um país aliado e colocaria em colapso a Otan; ou pressionar tanto a Dinamarca que ela não veja alternativa senão ceder de alguma forma aos Estados Unidos, seja vendendo o território ou fazendo algum tipo de arranjo intermediário.

A especialista alertou que o tema da Groenlândia é sensível não apenas para a política internacional, mas também para a política doméstica americana. "Os próprios aliados, republicanos, parte da base maga, se incomoda muito e tem sido vocal em dizer que se o presidente Trump de fato invadisse ou atacasse a Groenlândia e abrisse essa crise contra os europeus, isso seria entendido dentro dos Estados Unidos como um ato muito grave", concluído.

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