Análise: Ida de chanceler do Irã à China é antecipação em meio ao conflito

Abbas Araghchi busca respaldo político e econômico em Pequim antes da visita de Donald Trump à China; a análise é de Fernanda Magnotta

Da CNN Brasil
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O chanceler iraniano Abbas Araghchi chegou a Pequim, na China, na manhã dessa quarta-feira (5) para se reunir com seu homólogo chinês, em um encontro considerado o primeiro cara a cara entre os dois diplomatas desde o início do conflito no Oriente Médio. A visita integra uma série de esforços das autoridades iranianas para garantir apoio e acordos de cooperação mútua em meio ao conflito pelo Estreito de Ormuz.

Para a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, no CNN 360º, a chegada do chanceler iraniano à capital chinesa ocorre em um momento de alta sensibilidade diplomática. A reunião acontece cerca de uma semana antes do presidente dos Estados Unidos Donald Trump realizar uma visita à China, nos dias 14 e 15 de maio, quando deverá tratar, entre outros temas, da relação entre Pequim e Teerã.

Estratégia de antecipação

A ida de Abbas à China representa uma clara tentativa de antecipação por parte do Irã. "A ida do chanceler iraniano é uma tentativa de antecipação, é uma espécie de busca por respaldo", afirmou Magnotta. Segundo ela, Araghchi busca garantir apoio político e econômico em Pequim e, ao mesmo tempo, enviar uma mensagem de que o Irã não está isolado. "Tem um quê de mandar um recado também, de mostrar que há espaço de diálogo aberto com grandes potências", acrescentou.

Magnotta destacou que Donald Trump deve pressionar Xi Jinping em torno de uma tríade de questões relacionadas ao Irã: o apoio indireto da China ao país, incluindo o possível fornecimento de equipamentos militares; as compras de petróleo iraniano realizadas por Pequim apesar das sanções internacionais; e redes de tecnologia e operações financeiras que contribuem para a sustentação econômica de Teerã.

China na corda-bamba

A analista ressaltou que a China tem tentado manter um equilíbrio delicado na questão. Embora seja aliada histórica do Irã — tendo inclusive bancado a entrada do país no BRICS Plus — Pequim tem evitado se posicionar de forma mais explícita como escudo iraniano, o que poderia acirrar ainda mais as tensões com os Estados Unidos. "A China vem tentando se manter numa corda-bamba permanente nesse tema", avaliou.

Além disso, Magnotta alertou que a participação indireta de potências rivais, como China e Rússia, no conflito tem gerado crescente desconforto em Washington. Segundo ela, esse envolvimento poderia criar uma "sobrecarga estratégica" para os americanos, abrindo um flanco de instabilidade não apenas no Oriente Médio, mas também no Indo-Pacífico. A agenda da visita de Trump à China deve ainda incluir temas como tarifas, tecnologia e questões geopolíticas mais amplas.

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