Análise: Irã quer criar caos econômico no Oriente Médio após sofrer ataques
Estratégia iraniana visa desestabilizar mercados de petróleo e gás, pressionar aliados americanos e forçar monarquias árabes a não reagirem contra um país muçulmano
O Irã tem intensificado sua estratégia de retaliação aos ataques sofridos por parte dos Estados Unidos e Israel, mirando deliberadamente alvos econômicos estratégicos no Oriente Médio. A tática visa criar instabilidade financeira regional e pressionar aliados americanos na região, conforme análise de especialistas.
Segundo informações discutidas no videocast Fora da Ordem (ao vivo toda sexta, às 13h), na última sexta-feira (6), o governo iraniano está conseguindo efetivamente causar um caos econômico regional ao atingir infraestruturas de petróleo e gás, diz Américo Martins.
Entre as ações bem-sucedidas estão o fechamento do Estreito de Ormuz, ataques com drones à principal produção de gás do Qatar e ofensivas contra refinarias sauditas.
Os efeitos dessas ações já são visíveis no mercado global, com o disparo nos preços do petróleo e do gás natural. Na Europa, o impacto é significativo, mesmo em países como o Reino Unido, que não importam grandes quantidades de gás daquela região.
Vladimir Putin, presidente da Rússia, aproveitou o momento para ameaçar suspender exportações de gás para a Europa caso as sanções contra a economia russa não sejam suspensas.
Estratégia de pressão sobre monarquias árabes
Outro componente importante da estratégia iraniana envolve a pressão sobre as monarquias árabes da região. O Irã aposta que esses países evitarão retaliar os ataques por receio do impacto político de uma nação árabe atacar outro país muçulmano, especialmente em um contexto onde Israel é parte do conflito.
Essa dimensão religiosa e política complica significativamente as relações entre os países da região.
Nos Estados Unidos, os efeitos econômicos também já são sentidos, com o preço da gasolina atingindo níveis máximos. Isso representa um desafio para Donald Trump, que havia prometido em campanha tanto reduzir o custo de vida para os americanos quanto evitar o envolvimento do país em novos conflitos militares.
A administração Trump está buscando soluções emergenciais, como cortes de impostos e escoltas navais para navios no Estreito de Ormuz, mas as transportadoras e petrolíferas continuam relutantes em atravessar a região devido aos riscos.


