Análise: Israel testa paciência de um dos seus principais aliados

Nos últimos meses, Merz deixou claro que Israel não deve contar com o apoio antes veemente e quase incondicional de Berlim

Sebastian Shukla, da CNN
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mais uma vez encontrou uma maneira de irritar seu mais próximo e fiel aliado europeu: a Alemanha.

Após a aprovação israelense para assumir o controle da Cidade de Gaza, o chanceler alemão Friedrich Merz anunciou que "não aprovará nenhuma exportação de equipamento militar" para Israel até novo aviso.

Nos últimos meses, Merz deixou claro que Israel não deve contar com o apoio antes veemente e quase incondicional da Alemanha. O primeiro alerta veio em maio, quando Israel intensificou sua campanha em Gaza, alertando que “o governo israelense não deve fazer nada que seus melhores amigos não estejam mais dispostos a aceitar”.

Há uma tendência surgindo do governo Merz, que marca um grande afastamento da Alemanha. Durante décadas, Berlim esteve lado a lado com Israel, com a história sombria de perseguição aos judeus moldando sua política moderna de apoio praticamente inquestionável.

A última iniciativa, assim como a revoltante catástrofe humanitária em Gaza, forçaram Merz a lembrar Netanyahu mais uma vez que a Alemanha não ficará de braços cruzados.

O líder alemão disse em sua declaração hoje que seu governo está considerando "cada vez mais difícil" ver como a libertação dos reféns restantes, um cessar-fogo e o desarmamento do Hamas podem ser alcançados com mais combates.

Jeremy Issacharoff, ex-embaixador israelense na Alemanha, disse que "Israel deveria estar preocupado", acrescentando que as ações da Alemanha são "sem dúvida uma séria ramificação da última decisão do governo de expandir a ação militar em Gaza".