Análise: Khamenei representava "última leva" que viveu revolução no Irã

Analista Fernanda Magnotta destaca, no CNN 360°, que o ataque de Israel à assembleia que escolheria o sucessor do líder supremo do Irã busca desestabilizar o processo sucessório

Da CNN Brasil
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O ataque de Israel à assembleia que elegeria o sucessor do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no último sábado (28), representa um golpe estratégico não apenas contra uma figura política, mas contra a própria estrutura de poder iraniana.

Segundo análise de Fernanda Magnotta, no CNN 360°, Khamenei representava a "última leva daqueles que de fato viveram e estiveram pessoalmente envolvidos na revolução". Este elemento geracional é fundamental para compreender o impacto da morte do líder que governou o país desde 1989.

"Quando pensamos numa sucessão, não estamos apenas considerando quem é o líder substituto, mas sobretudo quais mudanças essa sucessão implica e qual ala a que pertencerá esse novo sucessor", explicou Magnotta. A analista destacou que a nova liderança definirá o tom das próximas decisões do Irã no cenário internacional.

Estratégia para desestabilizar o regime

A decisão estratégica de Israel e Estados Unidos parece ter ido além da simples eliminação do líder iraniano. "Me parece que a decisão estratégica foi não só decapitar o líder do sistema, mas tentar implodir o processo decisório desse próprio sistema na sua capacidade de renovação, de regeneração", analisou a especialista.

Magnotta lembrou que o Irã não é um regime personalístico, possuindo uma estrutura horizontalizada que vai além da figura do líder supremo. "Não é porque se substitui a cabeça do sistema que o sistema é necessariamente quebra", ponderou. No entanto, ao atacar a própria capacidade de realização da sucessão, Israel atinge mais profundamente um sistema que precisa criar mecanismos de coordenação.

Desafios para a transição de poder

A analista destacou que o aiatolá Ali Khamenei funcionava como "a cola que une as quatro principais frentes que mantém o regime": a guarda revolucionária, as forças Basij (aparato de segurança), o sistema de inteligência e o clero.

"Não existe condições de manter o regime sem que o controle efetivo passe pelas forças armadas, as milícias, o território e todas as cadeias de comando", explicou Magnotta. Ela ressaltou que a capacidade de repressão do governo iraniano permanece intacta, o que dificulta qualquer possibilidade de transição política impulsionada internamente.

Segundo a analista, os Estados Unidos têm focado seus ataques em três frentes militares específicas: a marinha iraniana, o projeto de mísseis balísticos e o programa nuclear. "São objetivos concretos, objetivos, inclusive bem factíveis do ponto de vista prático para os americanos", afirmou.

Magnotta concluiu que, embora o ataque à estrutura sucessória seja significativo, uma mudança mais profunda no regime iraniano dependeria da fragilização da máquina de repressão, que até o momento continua operante e eficaz no controle da população.

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