Análise: Netanyahu não sai vitorioso após cessar-fogo
Acordo de trégua entre Israel e Hamas teria acontecido "apesar de Netanyahu", segundo análise de Fernanda Magnotta, no CNN 360°. Pressão dos EUA foi decisiva para aceitação dos termos
O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas foi alcançado apesar da resistência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que teria preferido estender o conflito e adotar medidas mais severas, segundo análise de Fernanda Magnotta, no CNN 360°. "O acordo aconteceu apesar de Netanyahu", reforça Magnotta, ao afirmar que o primeiro-ministro tinha interesse em continuar a guerra.
"Não me parece que Netanyahu saia desse processo como um vencedor absoluto; ele não sai derrotado como poderia", avalia Magnotta. Embora Netanyahu tenha alcançado alguns objetivos — como a recuperação de reféns sob custódia do Hamas e a justificativa para a operação militar em Gaza —, sua posição política pode estar fragilizada. "Ele não é o maior perdedor, mas está longe de ser o grande vencedor", afirmou a analista.
As manifestações nas ruas de Israel, somadas a problemas anteriores relacionados a denúncias de corrupção, podem impactar seu futuro político nas próximas eleições israelenses, previstas para ocorrer em até um ano.
Pressão dos EUA
A pressão dos Estados Unidos foi determinante para que Netanyahu aceitasse os termos da negociação. Washington, mesmo apoiando Israel desde o início do conflito, aumentou progressivamente a cobrança pela necessidade de uma trégua, incluindo manifestações públicas nas redes sociais.
Um episódio marcante dessa pressão ocorreu quando os americanos forçaram Netanyahu a se desculpar após um ataque israelense ao Catar, onde negociadores discutiam justamente os termos do acordo de cessar-fogo.
A coalizão de direita radical que integra o governo de Netanyahu demonstrava interesse em prolongar o conflito, rejeitando inclusive a possibilidade de diálogo com o Hamas. No entanto, a interferência americana acabou prevalecendo sobre as intenções iniciais do governo israelense.


