Análise: Por que o Irã resiste aos esforços para acabar com a guerra?

Teerã ignora ultimato dos Estados Unidos e se prepara para suportar ofensivas em busca de vantagens futuras

Nic Robertson, da CNN
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Nada na história recente do Irã indica que o país esteja prestes a ceder à vontade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O prazo de Trump, às 20h desta terça-feira (7) (horário do leste dos EUA, ou 3h30 da manhã de quarta-feira (8), no horário do Irã), está se aproximando, mas os governantes de Teerã, sejam quem forem, estão imersos na psicologia de sofrer em troca de ganhos a longo prazo.

Mesmo antes do início desta guerra, em 28 de fevereiro, o Irã calculou que poderia suportar uma guerra breve com Washington, desde que conseguisse impor termos para o fim do conflito, sequestrando o Estreito de Ormuz e forçando o presidente americano à mesa de negociações.

O fato de ter superado essa aspiração de pressionar Trump a aceitar uma queda no preço do petróleo e de poder até mesmo monetizar as rotas marítimas vitais por meio de extorsão dá ainda mais tempo à estratégia.

Teerã provavelmente observa o histórico recente de conflitos – seja a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Kosovo em 1999, onde meses de ataques estratégicos não conseguiram paralisar os movimentos das tropas sérvias, ou as guerras no Iraque em 1991 e 2003, ou os ataques aéreos de Israel no Líbano em 2006, que destruíram a principal ponte para a Síria, ou mesmo os mais recentes ataques israelenses às pontes libanesas – e considera que, na pior das hipóteses, são apenas um incômodo, não uma mudança radical de rumo da noite para o dia.

Apesar de mais um episódio do líder dos EUA, que já adiou diversas vezes seu prazo para esmagar o Irã, recuar após fazer ameaças, o país parece mais uma vez pronto para testar sua própria resiliência contra o que alguns na administração Trump descreveram anteriormente como as "leis de ferro do mundo", onde as nações fortes governam pela força.

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