Análise: Reabertura de Ormuz levará mais tempo do que o cronograma de Trump
Mesmo em caso de fim dos combates, levará tempo para que o transporte marítimo se normalize nessa via navegável estratégica

O presidente dos EUA, Donald Trump, pode dizer que os Estados Unidos poderiam encerrar sua campanha militar contra o Irã nas próximas duas ou três semanas, mas levará muito mais tempo para que os navios voltem a navegar pelo Estreito de Ormuz.
As ações globais estão se recuperando com a esperança de que a guerra esteja perto do fim. Mesmo que os combates terminem e os preços do petróleo bruto caiam, levará tempo para que os preços da gasolina nos postos de gasolina se estabilizem e o transporte marítimo se normalize nessa via navegável estratégica.
O seguro marítimo continua altíssimo, mesmo com os prêmios de risco embutidos, e os trabalhadores marítimos estão menos dispostos a fazer a viagem depois de testemunharem um conflito que ceifou a vida de marinheiros.
“Os marinheiros são a espinha dorsal do comércio marítimo”, disse Angad Banga, CEO do Caravel Group, com sede em Hong Kong. Sua empresa supervisiona a Fleet Management Ltd., a segunda maior empresa de gerenciamento de navios do mundo.
“Depois que algo assim acontece, haverá efeitos em cadeia, e o desafio de convencer os marinheiros a voltarem a navegar continuará a causar problemas para a cadeia de suprimentos.”
O setor de transporte marítimo movimenta 90% de todos os produtos manufaturados, tornando os marítimos vitais para o comércio global.
O bloqueio seletivo do Estreito de Ormuz pelo Irã afetou milhares de embarcações que operam no Oriente Médio. As águas agora estão expostas a minas e drones explosivos, o que evidencia os riscos enfrentados pela navegação comercial na região.

O perigo ficou evidente quando o navio cargueiro tailandês Mayuree Naree foi atingido por um projétil no início deste mês, causando um incêndio a bordo e forçando a tripulação a evacuar. Alguns dos tripulantes resgatados retornaram posteriormente à Tailândia, mas três permanecem desaparecidos.
Desde o início do conflito, houve pelo menos sete mortes de marítimos e mais de uma dezena de embarcações atacadas perto do Irã.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.



