Análise: Sanções dos EUA a aliados de Maduro são recuo estratégico de Trump

Analista da CNN Lourival Sant'Anna avalia que presidente americano perdeu iniciativa de pressão máxima

Da CNN Brasil
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As tensões entre Estados Unidos e Venezuela entraram em uma nova fase após Washington impor sanções adicionais à família de Nicolás Maduro. Segundo o analista de Internacional Lourival Sant'Anna, a medida representa um recuo estratégico do presidente dos EUA, Donald Trump, em meio à escalada de tensões no Caribe.

De acordo com Sant'Anna, o momento atual pode ser descrito como um "anticlímax" nas relações entre os dois países. "Na geopolítica, na linguagem militar, a gente chama de encenação controlada, no caso dos Estados Unidos, e de dramatização defensiva, no caso da Venezuela", explicou o analista.

Embora os Estados Unidos não tenham retirado seus meios militares da região, incluindo porta-aviões e navios de guerra, a imposição de sanções contra familiares de Maduro representa uma mudança na estratégia americana. "Trump vinha num crescendo que indicava uma pressão máxima e agora ele está fazendo mais do mesmo", observou Sant'Anna.

Recuo estratégico dos EUA

Para o analista, Trump aparentemente sentiu que não estava em condições de escalar ainda mais a tensão. "Isso dá a sensação, no campo informacional, no campo psicológico, que é muito importante também nesse caso, já que não há uma guerra, de que Trump claramente perdeu a iniciativa", avaliou Lourival Sant'Anna.

Do outro lado, Maduro percebe essa mudança de postura e tenta obter o máximo proveito político da situação. "A situação não é fácil para Maduro, não é boa, não é desejável para ele. Mas, dentro do quadro que ele tem em mãos, ele vai trabalhando um discurso nacionalista, um discurso de soberania, de defesa e até legalista", explicou o especialista.

O analista destacou que, apesar de considerar o regime venezuelano autoritário, corrupto e ilegítimo, a Venezuela é um Estado soberano de acordo com o direito internacional, e Maduro utiliza esse argumento para fortalecer sua posição. "Maduro tenta obter benefícios dessa aflição, dessa agonia, desse cerco ao qual a Venezuela está exposta", concluiu.

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