Análise: Trump chama líderes iranianos de arrogantes

Segundo análise de Américo Martins ao Bastidores CNN, o presidente americano afirma que alvos ficaram vulneráveis ao se reunirem "à luz do dia"

Da CNN Brasil
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A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e de outros 49 líderes iranianos em ataques dos Estados Unidos revelou falhas críticas na segurança do regime iraniano. Em declarações recentes, o presidente americano Donald Trump classificou os líderes iranianos como "arrogantes" por terem se reunido em um local vulnerável. A análise é de Américo Martins, ao Bastidores CNN.

"Eles ficaram um pouco arrogantes quando se encontraram todos no mesmo lugar, pensaram que eram indetectáveis, não eram", afirmou Trump em entrevista exclusiva à CNN Internacional. O presidente americano também mencionou que "destituímos 49 líderes iranianos" e que "não está claro quem está liderando o país nesse momento".

O ataque foi resultado de uma operação de inteligência bem-sucedida. "Foi uma vitória da inteligência americana e da inteligência israelense. A gente sabe que Israel se infiltrou muito dentro dos altos escalões do regime iraniano", explicou Martins: "Eles vinham monitorando os passos desses principais líderes e viram uma oportunidade tremenda nessa reunião".

A operação teria sido planejada após monitoramento dos passos dos principais líderes iranianos, que se reuniram às 9h40 da manhã (horário de Teerã) em um encontro que incluía o líder supremo, líderes militares e o chefe da guarda revolucionária. "E foi nesse momento, nessa oportunidade, que Israel e Estados Unidos atacaram", apontou o analista.

Sucessão planejada pelo regime

Apesar das afirmações de Trump sobre um possível vácuo de poder, Américo Martins ressalta que o regime iraniano estava preparado para essa eventualidade. "O presidente Donald Trump está tentando menosprezar o regime iraniano, até por um efeito de propaganda, quando ele diz que eles não sabem quem está no poder. Eles sabem e eles se prepararam para isso", afirmou Américo Martins.

Desde o ano passado, quando começou o conflito entre Israel e Irã, o líder Ali Khamenei havia ordenado que todos os líderes políticos e militares nomeassem pelo menos quatro etapas diferentes de linha sucessória. Atualmente, um triunvirato assumiu as funções do líder supremo, composto pelo presidente do Irã, Massoud Perzeskihan, pelo chefe do judiciário e por um representante da Assembleia dos Peritos.

O ministro das Relações Exteriores iraniano indicou que o processo de escolha de um novo líder supremo deve levar apenas um ou dois dias, para evitar criar um vácuo no topo do poder.

"Trump sabe que o regime não vai ser despedaçado simplesmente pela morte de seu líder supremo. Existem muitas camadas de poder no Irã, é um sistema complexo que reuniu líderes religiosos, instituições religiosas, políticas e militares, justamente para resistir a ataques como esse", explicou Martins.

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