Análise: Trump cria fratura no Atlântico e favorece Rússia e China
Desgaste da aliança entre EUA e Europa preocupa líderes europeus, que buscam maior independência militar e econômica diante das ameaças de Trump. A análise é de Lourival Sant'Anna
O desgaste da aliança histórica entre Estados Unidos e Europa está se tornando cada vez mais evidente. As recentes tensões envolvendo a Groenlândia e as ameaças de Donald Trump têm exposto uma fratura significativa no eixo transatlântico, justamente quando Trump se prepara para se reunir com líderes empresariais globais em Davos. A análise é de Lourival Sant'Anna no CNN Prime Time.
A Groenlândia, maior ilha do mundo, tornou-se um ponto central nessa disputa geopolítica. Embora Trump tenha manifestado interesse em adquirir o território, Lourival Sant'Anna lembra que os Estados Unidos já têm direitos militares na região por meio de um acordo firmado com a Dinamarca nos anos 1950, que permitia a instalação de até 16 bases militares.
O analista reconhece que a preocupação com a presença russa e chinesa no Ártico é legítima. "A China tem cerca de 5 navios quebra-gelo, está construindo mais. Os Estados Unidos tem 3, estão construindo mais. De fato, a Rússia tem uma dominância dessas novas rotas marítimas", observou, mencionando que a Rússia possui 42 navios quebra-gelo, evidenciando sua vantagem estratégica na região.
No entanto, o analista ressalta que essa questão deveria ser tratada de forma conjunta entre aliados, e não por meio de ameaças e intimidações. "A Europa não está contra os Estados Unidos nisso. Então, ao criar essa fratura no Atlântico, o Trump está favorecendo a Rússia e a China e é isso que preocupa muito os europeus", disse o especialista, alertando para o enfraquecimento da coesão transatlântica que historicamente serviu para conter adversários comuns.
Reação da Europa
Segundo o analista, os discursos dos líderes europeus têm enfatizado a necessidade urgente de aumentar a independência da Europa em relação aos Estados Unidos, principalmente no âmbito militar, mas também econômico.
"A maioria dos discursos foi no sentido de realçar a necessidade urgente de aumentar a independência da Europa em relação aos Estados Unidos", destacou o analista.
A situação se agrava com as táticas de intimidação empregadas por Trump, que simultaneamente ameaça usar força militar e impor tarifas, uma combinação incomum nas relações internacionais.
"Trump está num momento ainda de intimidação, de intimidar os europeus. E é a isso que todos os grandes líderes europeus estão resistindo, que a Europa fique intimidada pelos EUA", explicou Lourival, acrescentando que essa postura por si só já desfaz a noção de uma aliança entre Estados Unidos e Europa.


