Análise: Trump precisa de saída digna da guerra com o Irã
Analista Fernanda Magnotta, no CNN 360°, apontou que presidente americano enfrenta impasse político e econômico no conflito, precisando encontrar solução que não pareça derrota
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está enfrentando um impasse político na guerra com o Irã, buscando uma saída estratégica para o conflito que não prejudique sua imagem de poder. Segundo a analista de internacional Fernanda Magnotta, no CNN 360°, a situação indica que Trump precisa encontrar uma saída digna para um conflito que se estendeu para além do tempo desejado e que não alcançou os objetivos políticos inicialmente almejados.
"Nessa tentativa de projetar poder ao mesmo tempo em que precisa tirar o time de campo sem parecer exatamente que perdeu o conflito, ou que não conseguiu ganhar nos termos que desejaria, é onde o impasse se estabelece", observou Magnotta nesta segunda-feira (6).
Magnotta destacou que Trump enfrenta uma queda de popularidade relacionada ao prolongamento do conflito, já que muitos americanos, embora vejam o Irã como ameaça, não apoiam necessariamente uma solução militar. Além disso, há uma divisão entre os Republicanos, com o grupo mais convencional se distanciando do núcleo ideológico MAGA (Make America Great Again), expressando ressalvas quanto ao prolongamento das hostilidades.
"O presidente Trump tem colhido uma série de efeitos colaterais desse conflito do ponto de vista político interno, e é esse o elemento que recalcula a rota e altera de maneira muito sintomática essa narrativa a cada minuto, por isso a sensação de vai e vem, de mudança de posição a toda hora", explicou Magnotta.
A analista também mencionou outros fatores que pressionam Trump: os efeitos econômicos do conflito, especialmente as tensões no Estreito de Ormuz - que causam pressão inflacionária -, as pressões geopolíticas de aliados regionais e o impasse com a OTAN. Ela destaca a insatisfação da classe militar americana, evidenciada por demissões em massa no Pentágono na semana passada.
"Ou saíram por vontade própria porque estavam insatisfeitos com o encaminhamento desse conflito, ou foram substituídos, demitidos sumariamente, porque não estavam dispostos a dar os passos que a administração entendia serem os mais razoáveis", detalhou a analista.
Para a especialista, embora os Estados Unidos sejam militarmente superiores ao Irã, o país persa leva vantagem no atual cenário devido ao custo econômico e político que o conflito impõe a Trump em ano de eleições de meio de mandato.
"Os Estados Unidos tentam vender a ideia de que estão ganhando militarmente, o que de fato é verdade, mas ainda assim a percepção que o presidente Trump tenta contornar é a sensação de que os americanos não deram conta desse recado tal qual eles poderiam ou gostariam", concluiu Magnotta.


