Análise: Venezuela está sendo tratada como colônia dos EUA
Vazamento de informação sobre atuação da agência americana visa demonstrar tratamento de colônia imposto ao país sul-americano. A análise é de Lourival Sant'Anna
A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) está trabalhando discretamente para estabelecer uma presença permanente na Venezuela. O vazamento desta informação tem um objetivo claro: "demonstrar que a Venezuela está sendo tratada como uma colônia dos Estados Unidos". A análise é de Lourival Sant'Anna no CNN Prime Time.
O analista classificou o anúncio como "bizarro", explicando que, embora seja comum que embaixadas e consulados americanos pelo mundo abriguem estações da CIA, isso nunca é divulgado publicamente.
"É óbvio que no mundo inteiro as embaixadas americanas, os consulados, têm um anexo em que funciona, no caso da embaixada, uma estação da CIA. Mas isso não é anunciado, não é informado dessa forma via imprensa, porque isso é, por definição, algo secreto, algo clandestino", explicou Sant'Anna.
Mesmo em países com relações extremamente próximas aos Estados Unidos, como Israel ou os membros da aliança de inteligência "Cinco Olhos" (Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além dos EUA), não existe nenhuma estação oficial da CIA publicamente reconhecida, informa o analista.
"Mesmo nessa relação fraterna que existe entre Estados Unidos e Israel, a CIA fez vista grossa enquanto Israel contrabandeava gatilhos e outras tecnologias e equipamentos fundamentais para seu projeto nuclear, nunca houve um escritório da CIA formal, anunciado, público", afirmou.
Neocolonialismo em evidência
Para Lourival Sant'Anna, a divulgação dessa informação representa uma tentativa de normalizar uma relação de neocolonialismo com a Venezuela.
"Realmente é mais um passo nessa direção de humilhar o regime venezuelano, de demonstrar que ele é tratado como um vassalo dos Estados Unidos", analisou.
O analista também mencionou uma imagem divulgada recentemente pelo governo americano, que mostrava um mapa-múndi com a Venezuela, o Canadá e a Groenlândia pintados com a bandeira americana, reforçando essa narrativa de controle territorial.
"É uma tentativa de que as pessoas comecem a aceitar essa realidade, mas certamente não é assim que pensa a grande maioria dos outros países", concluído Sant'Anna.


