Ao menos 177 mortes podem estar ligadas ao Ebola na RD Congo, diz OMS

Quase 750 casos suspeitos foram registrados, enquanto a organização afirma que a epidemia é maior que os números oficiais

Lauren Kent e Rob North, da CNN
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Pelo menos 177 mortes são consideradas ligadas ao surto de Ebola na República Democrática do Congo, com quase 750 casos suspeitos, afirmou o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta sexta-feira (22), alertando que a violência está dificultando a resposta à epidemia.

"A situação do Ebola na RDC é profundamente preocupante", disse o dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma atualização nas redes sociais, alertando que as autoridades "sabem que a epidemia na RDC é muito maior" do que as sete mortes confirmadas em laboratório.

"Esses números estão mudando à medida que os esforços de vigilância e os testes laboratoriais melhoram, mas a violência e a insegurança estão dificultando a resposta", acrescentou Tedros.

Outros dois casos confirmados e uma morte foram relatados na vizinha Uganda, afirmou o diretor. Ele descreveu a situação em Uganda como "estável" e afirmou que nenhum novo caso ou morte foi relatado.

Entenda como começou o surto de Ebola

O primeiro caso suspeito conhecido foi de um profissional de saúde, cujos sintomas começaram em 24 de abril, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). A pessoa morreu posteriormente em um centro médico em Bunia, capital da província de Ituri.

Em 5 de maio, a OMS recebeu um alerta sobre uma “doença desconhecida” com alta mortalidade na província, informou a agência. Após uma investigação de uma “equipe de resposta rápida” em 13 de maio, o surto foi confirmado como vírus Bundibugyo em 15 de maio.

Jeremy Konyndyk, ex-líder do combate à Covid e de ajuda em desastres na USAID (agência dos EUA para o desenvolvimento internacional), disse que várias “gerações de transmissão” devem ter passado despercebidas antes que o surto fosse confirmado, o que ele classificou como um “grande problema”.

No domingo (17), o órgão de saúde da ONU declarou a epidemia uma “emergência de saúde pública de importância internacional” e afirmou que a alta taxa de positividade e o aumento do número de casos e mortes indicam “um surto potencialmente muito maior”.

Tedros Adhanon, da OMS, disse que esta é a primeira vez que um diretor-geral declara uma emergência desse tipo antes de convocar o comitê posteriormente na terça-feira (19).

Anne Ancia, representante da OMS na República Democrática do Congo, confirmou na terça-feira que o surto também se espalhou para a província de Kivu do Norte, que faz fronteira direta com Ituri, mas acrescentou que ainda há “incerteza significativa” sobre o número real de infecções.