Manifestantes invadem hospital e incendeiam tendas médicas na RD Congo
Confronto começou após a família de uma vítima do vírus exigir a custódia do corpo, contestando que a doença não causou a morte

A polícia disparou tiros de advertência e gás lacrimogêneo na cidade de Rwampara, no nordeste da República Democrática do Congo, nesta quinta-feira (21), após confrontos eclodirem devido ao enterro de uma vítima do vírus Ebola. Manifestantes invadiram um hospital e incendiaram tendas médicas, segundo testemunhas da agência Reuters.
Os distúrbios ocorrem em um momento em que as autoridades lutam para conter o mais recente surto de Ebola no leste da RD Congo, onde a OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que havia 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas ligadas ao vírus no Congo e em Uganda.
O surto, concentrado na província de Ituri, envolve a rara cepa Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual atualmente não existe vacina aprovada. Autoridades de saúde afirmam que enterros seguros são cruciais para conter a doença, pois o Ebola pode se espalhar por contato direto com os corpos das vítimas infectadas.
Testemunhas disseram que a família do falecido contestou que o Ebola tivesse causado a morte e exigiu a custódia do corpo antes que a tensão aumentasse do lado de fora do centro de tratamento.
Mais tarde, confrontos irromperam quando manifestantes invadiram o terreno do hospital e incendiaram tendas operadas pela organização médica humanitária ALIMA.
As forças de segurança responderam disparando tiros de advertência e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Os surtos anteriores de Ebola no leste do Congo também foram marcados pela desconfiança em relação aos profissionais de saúde e pela resistência de algumas comunidades, o que dificultou os esforços para rastrear contatos e isolar pacientes infectados.
Especialistas em saúde alertam que conflitos, deslocamento populacional e desconfiança na comunidade podem, mais uma vez, prejudicar os esforços para conter o surto atual.


