Apoiador britânico da Lei Magnitsky critica aplicação dos EUA contra Moraes
Segundo William Browder, o juiz do STF não se enquadra nas categorias para as quais a Lei foi criada

O investidor britânico William Browder, responsável pela campanha global por justiça Magnitsky, e que lutou para que o Congresso dos Estados Unidos aprovasse a Lei de mesmo nome, criticou a aplicação contra o juiz do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.
Em uma publicação em seu perfil no X, Browder escreveu: "Passei anos lutando para que a Lei Magnitsky fosse aprovada, para acabar com a impunidade contra abusadores graves de direitos humanos e cleptocratas (aqueles que usam o poder para enriquecer às custas do povo). Pelo que eu sei, o juiz brasileiro Moraes não se enquadra em nenhuma dessas categorias."
I spent years fighting for the Magnitsky Act to be passed to end impunity against gross human rights abusers and kleptocrats. As far as I’m aware Brazilian Judge Moraes doesn’t fall into either of those categories. https://t.co/c5oy7m0hdy
— Sir William Browder KCMG (@Billbrowder) July 30, 2025
Campanha global por justiça Magnitsky
William Browder, fundador e CEO de uma empresa de investimentos, foi o maior investidor estrangeiros na Rússia até 2005, quando teve sua entrada no país negada e foi declarado “ameaça à segurança nacional” por expor corrupção em empresas estatais russas.
Em 2008, o advogado de Browder, Sergei Magnitsky, descobriu uma fraude enorme cometida por funcionários do governo russo que envolvia o roubo de 230 milhões de dólares em impostos estaduais.
Sergei testemunhou contra os funcionários envolvidos nessa fraude e, posteriormente, foi preso, mantido na prisão sem julgamento e sistematicamente torturado. Ele passou um ano na prisão sob condições horríveis, foi repetidamente negado tratamento médico e morreu na prisão em 16 de novembro de 2009, deixando esposa e dois filhos.
Desde então, Browder tem liderado a campanha global por justiça Magnitsky, que busca impor proibições de visto direcionadas e congelamento de bens contra abusadores de direitos humanos e oficiais altamente corruptos.
Os Estados Unidos foram os primeiros a impor essas sanções direcionadas com a aprovação da Lei Sergei Magnitsky de Responsabilização pelo Estado de Direito em 2012, que visa exclusivamente cidadãos russos.
Em seguida, veio a Lei Global Magnitsky de Responsabilização por Direitos Humanos em 2016, que permite ao governo dos EUA sancionar estrangeiros envolvidos em abusos de direitos humanos em qualquer lugar do mundo.
Desde então, Canadá, Reino Unido, países bálticos, União Europeia e Austrália aprovaram suas próprias versões da Lei Magnitsky. Browder atualmente trabalha para que legislações semelhantes sejam aprovadas em outros países ao redor do mundo, incluindo Nova Zelândia e Japão, só para citar alguns.


