Após anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã, movimento em Ormuz segue baixo
Cessar-fogo é um primeiro passo, mas armadores e seguradoras exigem mais garantias para o tráfego comercial de navios

Os dados de navegação mostram pouca movimentação no Estreito de Ormuz mais de seis horas após os EUA e o Irã anunciarem um cessar-fogo, nesta quarta-feira (8). Um analista alertou que embarcações e seguradoras precisariam observar mais sinais positivos antes de retomar o tráfego nessa importante via navegável.
“O cessar-fogo é um primeiro passo necessário, mas não significa que o transporte marítimo comercial se normalize imediatamente nas rotas internacionais do Estreito”, disse Charlie Brown, consultor sênior de rastreamento da frota secreta da organização United Against Iran e ex-oficial da Marinha dos EUA.

“Os armadores ainda aguardam orientações oficiais dos canais de segurança naval, dos estados de bandeira e, principalmente, das seguradoras de riscos de guerra marítima antes de enviarem os navios de volta ao estreito”, acrescentou Brown.
“O verdadeiro sinal a observar são os 'pioneiros' – os primeiros navios dispostos a testar a rota. Se essas travessias forem concluídas com segurança, a confiança aumentará rapidamente e o grupo mais amplo de observadores e observadores seguirá o exemplo.”
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, viajará ao Oriente Médio para manter conversas com parceiros do Golfo sobre como garantir que a reabertura do Estreito de Ormuz se torne permanente após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, informou seu gabinete nesta quarta-feira.
"Saúdo o acordo de cessar-fogo alcançado durante a noite, que trará um momento de alívio para a região e para o mundo", disse Starmer em comunicado.
Desde o início da guerra, o Irã atacou pelo menos 19 embarcações perto do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. O bloqueio da via navegável, que já dura mais de seis semanas, interrompeu o fornecimento de petróleo bruto para o resto do mundo e afetou negativamente os mercados globais.
Na manhã de quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que "a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível por meio da coordenação com as Forças Armadas iranianas". O Irã e Omã cobrarão uma taxa para que os navios atravessem o estreito durante o período de cessar-fogo, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
*com informações da Reuters e da CNN


