Argentina designa Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista
Movimentação acontece após o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, pressionar aliados a tomarem a medida

A Argentina designou a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) como organização terrorista, informou a presidência argentina em comunicado divulgado na noite desta terça-feira (31), após pressão do governo Trump para que aliados fizessem o mesmo.
O país governado por Javier Milei atribuiu a medida ao apoio da IRGC ao Hezbollah, grupo com sede no Líbano, a quem responsabiliza pelo atentado mais letal da história do país sul-americano: o ataque de 1994 ao centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu centenas.
A presidência argentina afirmou que a medida permite a implementação de sanções financeiras e outras restrições operacionais.
A IRGC é uma força militar de elite cuja função é proteger o regime clerical xiita no Irã. Ela controla grande parte da economia iraniana.
Tanto a IRGC quanto o Hezbollah já são considerados grupos terroristas pelos Estados Unidos e por alguns outros países.
Dias antes, o governo argentino também designou o Cartel Jalisco Nova Geração, do México, como organização terrorista, alinhando ainda mais o governo do presidente Javier Milei com Washington.
— Oficina del Presidente (@OPRArgentina) April 1, 2026
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.


