Argentina, Inglaterra e Suécia têm protestos anti-lockdown

Além da espera por doses dos imunizantes, os governos se preocupam com o avanço da doença em grupos mais jovens e com a proliferação de novas variantes do vírus

Protesto anti-lockdown em Estolcomo, na Suécia (06.mar.2021)
Protesto anti-lockdown em Estolcomo, na Suécia (06.mar.2021) Foto: Atila Altuntas/Anadolu Agency via Getty Images

Matheus Prado,

da CNN, em São Paulo*

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Muitos países do mundo estão vacinando sua população contra o novo coronavírus, mas isso não quer dizer que as coisas já estejam voltando ao normal. Além da espera por doses dos imunizantes, os governos se preocupam com o avanço da doença em grupos mais jovens e com a proliferação de novas variantes do vírus.

Por conta disso, as medidas de isolamento social continuam sendo implementadas ao redor do globo, com diretrizes e intensidades diferentes, o que incomoda parte da população. Argentina, Inglaterra e Suécia, por exemplo, tiveram protestos anti-lockdown entre sexta (5) e sábado (6).

Argentina

Na Argentina, manifestantes e policiais entraram em rota de colisão na cidade de Formosa na sexta-feira. A cidade, capital da província homônima que faz fronteira com o Paraguai, endureceu novamente a quarentena após os números de infecções crescerem. Parte da população, no entanto, foi para as ruas dizer que queria trabalhar.

O protesto acabou com dezenas de presos e alguns feridos, no que várias entidades chamaram de  uso de força “indiscriminada” por parte da polícia. A mídia local transmitiu imagens que mostram os agentes regionais disparando balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

O chefe de gabinete do presidente Alberto Fernandez, Santiago Cafiero, disse no Twitter que “o Estado deve garantir a livre expressão pacífica dos cidadãos … a violência nunca é o caminho”. Outros órgãos, como a Organização das Nações Unidas, também criticaram a atuação da força policial.

Formosa, no norte da Argentina, é uma das províncias mais pobres do país sul-americano e foi duramente atingida por uma recessão agravada pela crise do coronavírus. Como um todo, o país já reportou 2,14 milhões de casos de Covid-19 desde março de 2020, e mais de 52.784 mortes pela doença.

Suécia

Já neste sábado, na Escandinávia, a polícia sueca precisou dispersar centenas de pessoas que protestavam na capital Estocolmo em desafio à proibição de grandes aglomerações. Imagens de TV mostraram policiais empurrando alguns manifestantes, enquanto a polícia disse que um policial ficou levemente ferido e foi levado ao hospital.

O organizador do protesto, Filip Sjöström, disse à mídia local que esperava que cerca de 2 mil pessoas se juntassem à manifestação, que havia sido anunciada no Facebook. De acordo com o diário sueco Dagens Nyheter, os manifestantes viajaram de várias partes da Suécia, que proíbe reuniões públicas de mais de oito pessoas.

Em fevereiro, o governo anunciou que cortaria o horário de funcionamento de restaurantes, bares e cafés e restringiria o número de pessoas permitidas nas lojas, em uma tentativa de evitar uma terceira onda. A Suécia, que tem 10 milhões de habitantes, registrou 4.831 novos casos e 26 novos óbitos na sexta, elevando o número de mortos para 13.003.

Inglaterra

Também neste sábado, um contingente da polícia de Londres foi enviado para Richmond Green, um parque no centro de Richmond, na região metropolitana da capital inglesa, para impedir um protesto anti-lockdown que ocorreria ali. Um homem foi preso. O Reino Unido já registrou 4,2 milhões de casos e 124 mil mortes por conta do novo coronavírus, além de desenvolver sua própria variante.

(*Com informações da Reuters)

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