Ataque de Israel mata comandante sênior do Hamas e Palestina lança foguetes

Pelo menos 56 pessoas foram mortas em Gaza desde que a violência se agravou na segunda-feira (10)

Região de Gaza após ataque aéreo de Israel, em 12/05/2021
Região de Gaza após ataque aéreo de Israel, em 12/05/2021 Foto: Fatima Shbair/Getty Images

Nidal al-Mughrabi, Dan Williams, Ari Rabinovitch e Rami Ayyub,

da Reuters, em Gaza

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Israel afirma que matou 16 membros da ala armada do Hamas em uma barragem de foguetes na quarta-feira (12) e militantes palestinos lançam foguetes em Israel, enquanto Washington anuncia que enviará um emissário para tentar acalmar as hostilidades mais intensas vistas em anos na região. 

Pelo menos 56 pessoas foram mortas em Gaza desde que a violência se agravou na segunda-feira (10), de acordo com o ministro da saúde do enclave. Seis pessoas foram mortas em Israel, dizem oficiais médicos.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o comandante da brigada da cidade de Gaza estava entre membros sêniores do grupo militante islâmico que foram mortos. “Esse é apenas o começo. Vamos ataca-los como eles nunca imaginaram que seria possível”, disse.

Logo após o anúncio da morte, uma nova barragem de foguetes foi lançada contra a cidade israelita de Ashdod e a mídia do país divulgou que o exército estava se preparando para novas salvas – descargas simultâneas de artilharia ou armas de fogo – em Tel Aviv.

O Hamas confirmou a morte de seu comandante e de “outros líderes e guerreiros abençoados” em nota. O líder do grupo, Ismael Haniyeh, acrescentou: “O confronto com o inimigo está em aberto”.

Uma fonte palestina afirmou que esforços para estabelecer uma trégua exercidos pelo Egito, Catar e a Organização das Nações Unidas (ONU) não tiveram nenhum progresso em colocar um fim à violência mostrada nessa semana após tensões durante o mês islâmico do jejum, Ramadan, e enfrentamentos em Jerusalém Oriental.

Descrevendo as cenas de destruição como “angustiantes”, o secretário de estado dos Estados Unido, Antony Blinken, disse que um assessor sênior, Hady Amr, seria enviado ao local para encorajar israelenses e palestinos a buscar a paz.

O chefe do Pentágono, Lloyd Austin, reafirmou o “apoio irrevogável ao direito legítimo de Israel de defender-se”. O ministro da defesa de Israel, Benny Gantz, disse que o país continuará atacando o Hamas para restaurar a “longo período de calma”, de acordo com uma nota abordando o diálogo entre os líderes.

A luta é a mais intensa entre Israel e Hamas desde 2014, em uma guerra controlada pelo enclave do Hamas, e há preocupações de que a situação possa sair do controle.

Em Gaza, um prédio residencial de vários andares e uma torre que abrigava o Hamas e outros meios de comunicação desmoronaram após um alerta de Israel para que os ocupantes evacuassem o local, e outra estrutura foi danificada nos ataques aéreos.

Outros ataques atingiram o que o exército israelense classificaram como sítios de lançamento de foguetes, escritórios do Hamas e residências de líderes do Hamas.

“Israel ficou louco”, disse um homem nas ruas de Gaza, onde pessoas fugiram de suas casas enquanto as explosões abalavam edifícios.

Vinte e quatro pessoas foram mortas nos ataques aéreos israelenses em Gaza na quarta-feira, de acordo o ministério da saúde local. Testemunhas e profissionais da saúde em Gaza afirmaram que um ataque de Israel matou três pessoas, incluindo uma mulher, dentro de um carro.

Muitos israelenses também tiveram uma noite de insônia enquanto ondas de foguetes atingiam o território.

“As crianças escaparam do coronavírus e agora têm de viver outro trauma”, disse uma mulher israelense na cidade litorânea de Ashkelon, para o Canal 11 TV.

Moradores de Israel correram para abrigos ou deitaram-se no chão em algumas comunidades longe de Gaza.

“Todo Israel está sob ataque. É uma situação muito assustadora de se estar”, disse Margo Aronovic, uma estudante de 26 anos em Tel Aviv.

Na Faixa de Gaza, um soldado israelense foi morto por um míssil antitanques, de acordo com o exército. Duas pessoas foram mortas por um foguete em Lod, perto de Tel Aviv.

A apreensão também se espalhou em cidades árabe-judaicas em Israel, onde houve protestos sobre as hostilidades. Após uma sinagoga ser incendiada em Lod, a polícia convocou reforços paramilitares e anunciaram um toque de recolher.

Plataformas de combustível fechadas

A empresa de energia americana Chevron disse que teve de fechar a plataforma de gás natural de Tamar, na costa de Israel, a partir de instruções do Ministério da Energia. Israel disse que seu suprimento de energia continuaria sendo empregado.

O Hamas disse que lançou 210 mísseis em direção à cidade de Beersheba, ao Sul de Israel, e à Tel Aviv durante a madrugada em resposta aos ataques no edifício em Gaza.

“Se eles [Israel] querem agravar a situação, a resistência está pronta, se quiserem parar, a resistência também está pronta”, disse Haniyeh.

Para Israel, tornar Tel Aviv um alvo, sua capital comercial, impôs um novo desafio ao confronto com o Hamas, designado como uma organização terrorista por Israel e pelos Estados Unidos.

A violência segue semanas de tensão durante o Ramadan, com conflitos com a polícia israelense e manifestantes palestinos próximos à mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental.

Esses confrontos se agravaram antes de uma audiência judicial – que foi postergada – que poderia levar ao despejo de diversas famílias palestinas de Jerusalém Oriental, em casas reivindicadas por assentamentos judeus.

O conflito levou ao congelamento de diálogos de opositores de Netanyahu sobre formar uma coalisão de governo para depô-lo após a eleição inconclusiva de Israel em 23 de março.

A violência também aumentou na região ocupada da Cisjordânia. Fontes médicas dizem que um jovem palestino de 16 anos foi morto em confronto com a polícia israelense na quarta-feira. Militares israelenses dizem que 200 dos mais de 1.000 mísseis lançados por facções de Gaza caíram antes da área prevista, podendo causar a morte de cidadãos palestinos.

Israel despachou armamento e infantaria para reforçar tanques já reunidos nas fronteiras, trazendo memórias de sua última invasão terrestre à Gaza para interromper os ataques com foguetes em 2014.

Apesar de os últimos problemas em Jerusalém terem sido o gatilho imediato para as hostilidades, os palestinos também estão frustrados com suas aspirações por um estado independente serem barradas nos últimos anos.

Isso inclui o reconhecimento dos Estados Unidos da disputada Jerusalém como a capital de Israel durante o governo de Donald Trump e um plano americano para encerrar o conflito que enxergam como favorável a Israel, e a continuidade da construção de assentamentos no território.

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