Ataque israelense mata 20 pessoas em escola que abrigava deslocados em Gaza
Mulheres e crianças estão entre as principais vítimas da ofensiva, informaram autoridades médicas
Um ataque aéreo israelense a uma escola em Gaza que abrigava palestinos deslocados matou pelo menos 20 pessoas, relataram o diretor de um hospital e a Defesa Civil do território nesta segunda-feira (26).
O ataque atingiu a escola Fahmi Al-Jarjawi, na Cidade de Gaza, que abrigava deslocados, logo após a meia-noite, segundo a Defesa Civil de Gaza, que também informou haver um “grande número” de feridos.
Os feridos e mortos foram levados ao Hospital Batista Al-Ahli, em Gaza, onde o diretor, Dr. Fadel Naim, disse à CNN que mais de 20 corpos foram identificados.
“Várias partes de corpos chegaram em sacos plásticos que não conseguimos identificar”, acrescentou. A maioria das vítimas são mulheres e crianças, segundo Naim.
Um vídeo que circulou nas redes sociais sobre o ocorrido mostrou a escola reduzida a cinzas e escombros.
Em um dos vídeos, socorristas são vistos tentando apagar o fogo de um corpo carbonizado, irreconhecível.
“As cenas das crianças… são indescritíveis, as cenas das mulheres são completamente indescritíveis. Os corpos foram completamente carbonizados dentro desta escola”,
As equipes de emergência conseguiram controlar o incêndio, segundo a Defesa Civil, que acrescentou que a escola abrigava pessoas deslocadas de Beit Lahia, no norte de Gaza.
Em um comunicado conjunto, as Forças de Defesa de Israel e a Agência de Segurança de Israel (ASEI) afirmaram ter atingido um “centro de comando e controle” do Hamas e da Jihad Islâmica que estava incrustado na área ao redor da escola durante a noite de domingo.
Ataques continuam mesmo com pressão sobre Israel
As mortes ocorrem em meio à crescente pressão sobre Israel, inclusive de alguns de seus aliados ocidentais mais próximos, devido aos planos de deslocar à força a população de Gaza para o sul e ao bloqueio de meses de ajuda humanitária ao território devastado.
O Reino Unido suspendeu as negociações comerciais e impôs sanções aos colonos extremistas na Cisjordânia.
Canadá e França ameaçaram aplicar sanções, enquanto a União Europeia — o maior parceiro comercial de Israel — está revisando seu histórico Acordo de Associação com o país.
Israel assumiu o controle de cerca de 77% do território, seja por meio de forças terrestres ou por meio de ordens de retirada e bombardeios que mantêm os moradores longe de suas casas, informou a assessoria de imprensa de Gaza.
No sábado (24), o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou a morte de dois de seus colegas em um ataque em Khan Younis, no sul de Gaza.
“A morte deles aponta para o número intolerável de civis mortos em Gaza. O CICV reitera seu apelo urgente por um cessar-fogo e pelo respeito e proteção dos civis, incluindo pessoal médico, de ajuda humanitária e de defesa civil”, afirmou em uma publicação no X.
📍 Gaza | We are devastated by the death of two dear colleagues, Ibrahim Eid and Ahmad Abu Hilal.
Today, once again, we reiterate our urgent call for the respect and protection of civilians in Gaza.
Our profound condolences go out to their family, friends, and colleagues. pic.twitter.com/QOXOOK12wL
— ICRC (@ICRC) May 25, 2025
Mais de 53.000 pessoas foram mortas em Gaza desde que Israel iniciou a guerra após os ataques terroristas de 7 de outubro pelo Hamas e seus aliados, conforme o Ministério da Saúde do território palestino.


