Ataque israelense mata duas pessoas no sul do Líbano, diz mídia libanesa

Confrontos entre os países continuam mesmo após a extensão do cessar-fogo anunciada por Donald Trump na quinta-feira (23)

Sarah Tamimi, Charbel Mallo, Ibrahim Dahman, Sana Noor Haq, Mitchell McCluskey e Eyad Kourdi, da CNN
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Pelo menos duas pessoas morreram após um ataque israelense na cidade de Touline, no sul do Líbano, nesta sexta-feira (24), menos de um dia após a Casa Branca ter ordenado a prorrogação do cessar-fogo por três semanas.

As duas vítimas foram mortas por um ataque no distrito de Marjayoun “nas primeiras horas da manhã”, segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano.

Questionado pela CNN sobre o ataque, o exército israelense remeteu a uma declaração anterior que citava ataques contra “estruturas militares do Hezbollah” nas cidades de Kherbet Selem e Touline.

Pelo menos nove pessoas foram mortas no Líbano desde 16 de abril, quando o cessar-fogo entrou em vigor.

O ataque de Israel ao Líbano, após o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, ter disparado projéteis contra o norte de Israel em março, matou milhares de civis, devastou bairros, contaminou terras agrícolas e destruiu meios de subsistência, segundo as Nações Unidas.

Pelo menos 2.491 pessoas foram mortas até o momento, informou o Ministério da Saúde do Líbano na sexta-feira.

Na quinta-feira (23), a ONU afirmou que sua missão de ajuda humanitária encontrou carros carbonizados, montes de entulho e casas arrasadas nas ruas do sul do Líbano — onde as forças israelenses ocuparam bairros, lançaram ataques mortais e incursões, informou a NNA.

As tropas israelenses também impediram que moradores libaneses retornassem a 55 aldeias fronteiriças, muitas das quais estão repletas de munições não detonadas e infraestrutura danificada, acrescentou a ONU.

Ao longo do último mês, a agência documentou “ataques diretos contra civis”, incluindo profissionais de saúde e jornalistas, e ataques israelenses que “arrasaram prédios de vários andares, matando famílias inteiras”, em violação do direito internacional.

“Incidentes semelhantes continuaram a ocorrer mesmo após o anúncio do cessar-fogo atual”, disse um porta-voz do chefe de direitos humanos da ONU na sexta-feira.

Esta publicação foi atualizada com detalhes adicionais.

Confrontos após o cessar-fogo

Tropas israelenses e combatentes do Hezbollah continuaram a se atacar mutuamente nesta sexta-feira.

Nas cidades libanesas de Yater e Kafra, no sul do país, as IDF (Forças de Defesa de Israel) afirmaram ter atacado lançadores de foguetes do Hezbollah que “representavam uma ameaça para soldados da IDF e civis israelenses”.

O Hezbollah afirmou ter atacado um veículo blindado de transporte de pessoal israelense em Ramyah, no sul do Líbano.

Em um comunicado, o grupo militante disse que o ataque foi “em resposta” à destruição de casas por Israel no sul do Líbano, o que o Hezbollah classificou como uma “violação do cessar-fogo”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel continuará atacando “qualquer ameaça” no Líbano.

Os termos do acordo de cessar-fogo estabelecem que Israel tem permissão para tomar “todas as medidas necessárias em legítima defesa”.

Enquanto isso, o Hezbollah declarou que o acordo “não tem sentido”, visto que Israel continua seus ataques em território libanês.

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