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    Ataques a Lviv mostram oposição da Rússia em relação à viagem de Biden, diz professora

    Presidente dos EUA viajou à Polônia, cuja fronteira está próxima da cidade bombardeada neste sábado (26)

    Anna Gabriela CostaJuliana AlvesLudmila Candalda CNN

    em São Paulo

    Em entrevista à CNN neste sábado (26), a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Barbara Motta falou sobre a visita do presidente Joe Biden à Polônia. Para ela, os ataques ocorridos neste sábado na região de Lviv, cidade ucraniana que fica perto da fronteira com o país visitado por Biden, demonstram a oposição dos russos em torno da viagem do líder norte-americano.

    “Em relação a Lviv especificamente, parece que os ataques seguem outra lógica, por ser uma cidade muito próxima da Polônia. E considerando que o presidente Biden estava na Polônia, eu considero que os ataques que vimos hoje em Lviv são um jeito de demostrar a insatisfação, a oposição da Rússia em relação à viagem do presidente Biden, seja para conversar com a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte], seja para conversar com a União Europeia, mas, especificamente, pela conversa com o presidente da Polônia”.

    Em pronunciamento na noite deste sábado, pelo horário local de Varsóvia, na Polônia (tarde de sábado, pelo horário de Brasília), Joe Biden, chamou Vladimir Putin de “ditador” e atacou o presidente russo pela operação do Kremlin que levou à Guerra na Ucrânia, dizendo que Putin “não pode continuar no poder”.

    A professora destaca que é preciso ter “cautela” nas declarações, e que as falas de Biden podem impulsionar ainda mais a tensão entre a Rússia e a Ucrânia.

    Em um determinado momento, depois de fazer diversas críticas às ações do Kremlin –e ressaltou a eficácia das sanções econômicas contra a Rússia–, Biden direcionou a fala aos cidadãos do país.

    “É preciso ter um pouco de cuidado nessas falas. A fala de Biden me parece muito imprudente. Na sequencia, logo a própria Rússia disse que esse tipo de iniciativa não compete aos EUA, mas ao povo da Rússia, o que é total verdade. Escolhendo bons ou maus dirigentes, uma das prerrogativas básicas da democracia é que cabe aos cidadãos do país fazer essa escolha”, disse.

    O  porta-voz-chefe do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a declaração do presidente dos Estados Unidos. “Não cabe a Biden decidir. O presidente da Rússia é eleito pelos russos.”

    “Sobre os impactos, me parece que a primeira impressão é de que essa fala não é construtiva. O que a gente precisa pensar agora é em um cessar-fogo, inclusive, para o bem da população civil. E essas falas do presidente Biden, somada a tantas outras falas que ele vem fazendo podem inflamar ainda mais as tensões”, acrescentou a professora.