Ativista morre durante operação ‘brutal’ da polícia da Autoridade Palestina

Nizar Banat teria sido 'espancado brutalmente e preso', segundo família

Nizar Banat fala a jornalistas na casa da família dele em Hebrom
Nizar Banat fala a jornalistas na casa da família dele em Hebrom Foto: Nasser Nasser/AP (4.mai.2021)

Andrew Carey e Abeer Salman, da CNN

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Um crítico conhecido da Autoridade Palestina (PA) morreu sob custódia policial em Hebrom, na Cisjordânia, gerando condenações por líderes do território e além dele.

A família de Nizar Banat disse que 20 soldados palestinos armados invadiram a casa da família em Hebrom na madrugada de terça-feira (22), “espancando-o brutalmente e prendendo-o”.

Em nota, o governador da PA em Hebrom confirmou que Banat morreu durante uma operação para detê-lo. “Durante a prisão, a saúde dele deteriorou, e ele foi levado imediatamente ao hospital de Hebrom. Após médicos o conferirem, pareceu que o cidadão já estava morto”, disse Jibrin Al Bakri.

Banat, de 45 anos, carpinteiro de profissão, era um oponente vocal da PA por muitos anos, acusando-a repetidamente de corrupção. Na publicação mais recente no Facebook, ele criticou o primeiro-ministro da PA Mohammed Shtayyeh por cancelar um acordo com Israel que tranferiria ao menos 1 milhão de vacinas contra Covid-19 da Pfizer à PA. 

Em novembro do ano passado, Banat passou dias em detenção pela PA após publicar um vídeo nas redes sociais em que expressa críticas dos líderes da autoridade. Ele foi preso sob a lei da PA de cibercrimes, aprovada em 2017, que grupos de direitos humanos dizem colocar restrições severas sobre a liberdade de expressão na internet. 

Issa Amro, que como Banat é um crítico palestino vocal da PA e também de Hebrom, disse à CNN, “Temos medo de sermos mortos pelas forças de segurança palestinas sem lei. É claro que há uma decisão para se livrar da oposição e dos ativistas a qualquer preço.”

Amro, que recentemente se encontrou com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em Ramallah, foi preso dois dias antes pelas forças da PA após críticar os líderes dela nas redes sociais.

Ex-membro do comitê nacional executivo da organização pela liberação da Palestina, Hanan Ashrawi disse que a morte de Banat é um “desenvolvimento perigoso”, e alertou sobre as ameaças crescentes à sociedade civil palestina. “A deterioração das condições passou despercebida por algum tempo. A responsabilização é imperativa”, escreveu no Twitter. 

O gabinete de representação da União Europeia aos palestinos disse estar “chocado e entristecido” pela morte de Banat e pediu pela condução imediata de uma “investigação completa, independente e transparente”. 

Mais cedo neste ano, Banat fundou o partido Liberdade e Dignidade para contestar as eleições parlamentares da PA, que aconteceriam em maio antes de serem canceladas pelo presidente da PA, Mahmoud Abbas. 

(Texto traduzido, leia o original em inglês)

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