Ausência de Lula no Mercosul-UE deixa "sentimento misto", diz Peña à CNN
Presidente brasileiro foi o único ausente na cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio, que aconteceu em Assunção, capital paraguaia

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (19) que a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cerimônia de assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que aconteceu na capital Assunção, deixou um “sentimento misto”.
"O sentimento é misto. Por um lado, temos gratidão e satisfação com o trabalho feito pelo presidente Lula. Fiz um reconhecimento público para ele, porque delegamos para o Brasil a liderança da negociação. Todos colaboramos para que isso seja feito, mas reconhecemos a liderança do presidente Lula, falando com Ursula Von der Leyen, com Emmanuel Macron, Giorgia Meloni", disse.
"Gostaríamos que todos os presidentes estivessem aqui, mas Lula pensou que a assinatura pelo chanceler era suficiente. A sensação ficou um pouco agridoce. Eu enviei uma carta para ele convidando, mas eu compreendo que a agenda dele é muito complicada", completou.
Olhando para o futuro do acordo, Peña disse que a política tarifária de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pressiona a UE a ratificá-lo. Ainda é necessário que os parlamentos europeu e sul-americanos aprovem o texto para que o tratado entre em vigor.
"Acho que a política tarifária de Trump faz mais pressão sobre a União Europeia do que no Mercosul. No caso do Paraguai, estou mandando para que o Congresso já possa tratar durante o recesso. O mesmo fez Javier Milei. E acho que o Brasil também terá uma aprovação rápida. Mas a pressão mais importante está na União Europeia. Meu entendimento é de que eles estão compreendendo a importância de ter uma aprovação rápida", disse.
Na conversa com a reportagem, que aconteceu na residência presidencial, Peña celebrou o tratado, mas afirmou que o Mercosul precisa ser mais "ambicioso" em suas relações e posicionamento global daqui para frente. O mandatário pediu união do bloco para que isso aconteça.
"Este acordo é celebrado, o Paraguai celebra, mas temos que trabalhar mais. O mundo está mudando, a geopolítica está mudando. O poder da nossa região em produção de alimentos, transição energética, população jovem é uma oportunidade única. Nenhuma outra região tem as oportunidade que temos. Temos que ser honestos, mesmo com diferenças que os países podem ter, temos que avançar. Não temos que mirar para direita ou esquerda, mas para frente", defendeu.


