Austrália sofre com incêndios florestais e onda recorde de calor
Os bombeiros na Austrália estão lutando contra um enorme incêndio florestal que está se espalhando há seis semanas por toda a ilha Fraser

Os bombeiros na Austrália estão lutando contra um enorme incêndio florestal que está se espalhando há seis semanas por toda a ilha Fraser, um popular ponto turístico do país. Além disso, partes do leste do país estão mais abafadas por uma onda de calor recorde – o país viveu o mês de novembro mais quente já registrado.
Turistas e funcionários foram forçados a deixar o local, que é Patrimônio Mundial da UNESCO, quando o incêndio se intensificou e as florestas singulares da ilha foram envolvidas pela fumaça.
Na terça-feira (1) de manhã, hora local, os serviços de bombeiros e emergência no estado de Queensland, no leste do país, emitiram um alerta de “preparar-se para partir” para o Kingfisher Bay Resort and Village, pois incêndios em locais próximos ameaçavam a área.
Equipes de emergência usaram bombas d’água para diminuir o incêndio, mas os bombeiros alertaram que as condições poderiam piorar.
“Os bombeiros estão trabalhando para conter o fogo, mas talvez não consigam proteger todas as propriedades. Não espere um bombeiro à sua porta”, afirmou o texto do alerta.
O Bureau de Meteorologia de Queensland disse que o perigo de incêndio provavelmente será agravado por fortes ventos e condições extremas de ondas de calor, previstas para continuar no estado pelos próximos dias.
O incêndio na ilha Fraser foi provocado por uma fogueira ilegal. Em seis semanas, o fogo devastou 76 mil hectares de mato seco, de acordo com a Nine News, afiliada da CNN.
Também conhecida pelo nome indígena K'gari, a ilha Fraser foi listada como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1992 pela beleza natural de suas florestas únicas. É a maior ilha de areia do mundo e tem a única floresta tropical alta assentada sobre areia.
O solo arenoso da ilha, aliás, vem dificultando o trabalho das mais de 30 equipes que lutam contra o incêndio na ilha, disse o serviço de bombeiros de Queensland.
O controlador de incidentes James Haig disse em um mensagem de vídeo no Twitter que “as condições são muito desafiadoras”, mas os bombeiros estavam fazendo o melhor que podiam para tentar mitigar os danos causados por um incêndio desse porte.
As equipes também estão lutando contra incêndios em dezenas de outras áreas do continente de Queensland e New South Wales.
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Temor de nova temporada de incêndios

O desastre na ilha Frasier acontece num momento em que partes do leste da Austrália estão abafadas por uma onda de calor de primavera. No sábado (28), a temperatura subiu acima de 40 graus Celsius em Sydney durante o dia e baixou apenas para 25,3° C à noite, um recorde no período noturno em qualquer novembro. No oeste dos estados de New South Wales e South Australia, e no norte do estado de Victoria, o calor foi ainda mais forte, aproximando-se dos 45° C.
O Bureau de Meteorologia afirmou na terça-feira (1) que a primavera de 2020 foi a mais quente já registrada e o novembro mais quente na Austrália.
Os incêndios florestais são comuns em toda a Austrália, mas as condições têm sido mais perigosas nos últimos anos. A Austrália está ficando mais quente e seca há décadas, e há um declínio de longo prazo nas chuvas no sul da Austrália.
O ano passado foi o mais quente já registrado no país – os sete anos de 2013 a 2019 foram todos classificados entre os nove anos de temperaturas mais altas.
A devastadora temporada de incêndios florestais de 2019-2020, apelidada de Verão Negro, foi a pior da Austrália, queimando quase 12 milhões de hectares e causando a morte de pelo menos 33 pessoas e, estima-se, de 1 bilhão de animais.
O inquérito chamado New South Wales Bushfire Inquiry revelou em março que essa intensa temporada de incêndios foi agravada pela mudança climática e alertou para a provável reincidência de incêndios devastadores. O relatório concluiu que a seca extrema em regiões de floresta, a grande quantidade acumulada de material combustível (como folhas secas) e o clima quente e seco foram os principais agentes causadores dos incêndios, que se espalharam rapidamente por grandes áreas.
O relatório Estado do Clima 2020, feito pelo Bureau de Meteorologia da Austrália e pela CSIRO, revelado no mês passado, afirma que a mudança climática está influenciando a frequência e o grau de gravidade desses agentes causadores do incêndio florestal no país, afetando a temperatura, a umidade relativa do ar e o teor de umidade do combustível. No futuro, a Austrália pode registrar incêndios ainda mais devastadores no sul e no leste do país, adverte o estudo.
“O Bureau de Meteorologia e outros órgãos previram outra temporada de incêndios extremamente perigosa na costa leste e também no sudoeste da Austrália”, afirmou Bill Hare, diretor de ciência do clima e instituto de políticas Climate Analytics, na terça-feira (1).
“Se isso acontecer, a população e a economia irão sofrer muito. Acho que as pessoas mal estão se recuperando dos incêndios florestais do ano passado e do início deste ano. É triste olhar para essas regiões agora e ver que o dano ainda não foi desfeito”.
(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).