Autoridades chinesas criticam exclusão de conta de provável próximo líder de Hong Kong

YouTube informou que suspendeu o canal oficial da campanha de John Lee; Google, controlador da plataforma, afirma que está cumprindo sanções dos EUA

John Lee, candidato à liderança de Hong Kong
John Lee, candidato à liderança de Hong Kong Chen Yongnuo/China News Service via Getty Images

Michelle TohWayne ChangLizzy Yeeda CNN

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As autoridades chinesas criticaram o YouTube por excluir a conta de um político que deve se tornar o próximo líder de Hong Kong, acusando a plataforma de compartilhamento de vídeos de interferir nos assuntos internos do país.

O YouTube informou na quarta-feira (20) que suspendeu o canal oficial da campanha de John Lee, o único candidato previsto para se tornar o próximo chefe do Executivo de Hong Kong. O Google, controlador da plataforma, afirmou que está apenas cumprindo as sanções dos Estados Unidos.

Um porta-voz do Google comunicou à CNN na quarta-feira que “a empresa encerrou o canal Johnlee2022” após analisar as leis dos EUA e os termos de serviço do YouTube. Não foram fornecidas informações adicionais.

Na quinta-feira (21), o Ministério das Relações Exteriores da China acusou “algumas empresas dos EUA” de serem “ferramentas políticas” para o governo norte-americano, alegando que os Estados Unidos têm “más” intenções de “interferir” nas eleições de Hong Kong.

“Nenhuma manobra de pressão ou sabotagem pode afetar o bom andamento da eleição do chefe do Executivo ou conter a tendência esmagadora de uma reviravolta do caos para a estabilidade em Hong Kong”, garantiu Wang Wenbin, porta-voz do ministério, a repórteres quando questionado sobre o assunto em uma coletiva de imprensa.

Em um comunicado realizado na noite de quinta, um porta-voz do governo de Hong Kong reiterou “forte oposição” a uma “empresa de mídia social” dos EUA diante da remoção do canal de campanha de Lee. 

O governo “e todos os setores da sociedade se opõem fortemente e demonstram extrema indignação com qualquer forma de interferência de forças estrangeiras nos assuntos internos de Hong Kong”, incluindo questões relacionadas à eleição do próximo grande líder da cidade, acrescentou o porta-voz. O Google se recusou a comentar as objeções das autoridades chinesas na sexta-feira (22).

Em 2020, o Departamento do Tesouro dos EUA aplicou sanções a quase uma dezena de autoridades de Hong Kong e da China Continental –incluindo Lee– por seu envolvimento na introdução de uma nova lei de segurança nacional.

A legislação –extremamente controversa– proíbe qualquer atividade que Pequim considere secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras e permite que a segurança do Estado chinês atue no território.

Lee, um ex-policial que conseguiu chegar ao cargo de chefe de segurança da cidade e, posteriormente, de secretário-geral, o segundo cargo político mais alto, comentou a restrição do YouTube na quarta-feira.

Estou decepcionado por não poder usar a plataforma, mas isso não afetará minha campanha e ações de divulgação.

John Lee

Lee também ridicularizou as sanções, chamando-as de “irracionais” e “atos de bullying”.

Ao ser questionado se penalizaria as empresas que cumprissem as sanções dos EUA, como o Google, caso se torne presidente do Executivo, Lee informou que “agirá de acordo com a lei de Hong Kong”.

Restrições no Facebook

A ação do YouTube levantou questões sobre a possibilidade de o político também ser excluído de outras redes sociais ocidentais.

Na quarta, a Meta comentou o assunto, dizendo que Lee poderia permanecer em suas plataformas –Facebook e Instagram–, mas não terá permissão para usar as ferramentas de publicidade.

Lee “poderá continuar tendo uma presença desmonetizada no Facebook e Instagram, e tomamos medidas para impedir o seu uso de serviços pagos”, alegou a gigante da mídia social em um comunicado, acrescentando que “como uma empresa norte-americana, atuamos de acordo com as restrições dos EUA, que variam de acordo com as circunstâncias”.

“Se identificarmos contas mantidas por ou em nome de Cidadãos Especialmente Designados que estejam na lista do governo dos EUA, somos obrigados por lei a tomar algumas medidas”, afirmou, referindo-se a uma lista de indivíduos sancionados por Washington.

O porta-voz do governo de Hong Kong afirmou na quinta-feira que “as chamadas “sanções” impostas pelos EUA são uma nítida interferência nos assuntos internos da República Popular da China” e acrescentou que o governo se opõe a qualquer ação que possa comprometer “as liberdades de expressão e divulgação de informações, bem como o caráter justo e imparcial da Internet”.

Lee deve ser escolhido como o próximo líder de Hong Kong por um comitê composto em grande parte por legisladores e representantes da indústria pró-Pequim em 8 de maio.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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