Autoridades de EUA e Irã podem se reunir nos próximos dias, diz mídia
Agência de notícias semioficial ISNA afirmou que, se as conversas avançarem, serão lideradas pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e pelo enviado especial do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff

Autoridades de Irã e Estados Unidos podem se reunir “nos próximos dias”, informou a mídia estatal iraniana nesta segunda-feira (2). O encontro poderia representar uma abertura diplomática em meio a temores de uma guerra regional.
“As delegações negociadoras da República Islâmica do Irã e dos Estados Unidos podem realizar conversas nos próximos dias”, publicou a agência de notícias semioficial ISNA no Telegram, citando fontes não identificadas.
Caso as conversas avancem, serão lideradas pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e pelo enviado especial do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff, e poderão ocorrer na Turquia, com a participação do ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, acrescentou a ISNA.
Em outra publicação no Telegram, Araghchi afirmou que o Irã está “pronto para a diplomacia”, mas alertou contra “ameaças, intimidações e pressões”.
O Irã e os EUA realizaram várias rodadas de negociações nucleares indiretas em abril e maio de 2025, antes de um ataque surpresa israelense em meados de junho levar ao cancelamento de novas conversas.
Dias depois, os americanos realizaram ataques a instalações nucleares iranianas, que efetivamente encerraram o processo de negociação.
O ministro das Relações Exteriores iraniano tem mantido um tom otimista quanto à possibilidade de um acordo nuclear com a Casa Branca, mesmo com o aumento da presença militar americana na região e a aparente relutância em atender às exigências iranianas para a continuidade do enriquecimento de urânio.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".


