BBC pede desculpas a Trump por edição de documentário, mas nega indenização
Emissora britânica afirmou que não tem planos de retransmitir o documentário, mas rejeitou a alegação de que ele seja "difamatório"

A BBC pediu desculpas ao presidente dos EUA nesta quinta-feira (13), por um documentário que os advogados de Trump descreveram como falso e difamatório.
Segundo um porta-voz da BBC, os advogados da emissora enviaram uma carta à equipe jurídica de Trump.
"O presidente da BBC, Samir Shah, enviou separadamente uma carta pessoal à Casa Branca, deixando claro ao presidente (Donald) Trump que ele e a emissora lamentam a edição do discurso do presidente em 6 de janeiro de 2021, que foi exibida no programa", disse o porta-voz.
A BBC disse que não tem planos de retransmitir o documentário em nenhuma de suas plataformas, rejeitando, porém, a alegação de que ele seja difamatório.
O pronunciamento busca apaziguar uma polêmica que mergulhou a emissora pública em sua pior crise em anos.
Ao negar exigências de indenização de Trump, a emissora afirmou: "Embora a BBC lamente sinceramente a forma como o vídeo foi editado, discordamos veementemente que haja fundamento para uma ação por difamação", segundo a BBC News.
Ameaça de processo
O presidente americano ameaçou processar a BBC em US$ 1 bilhão, a menos que a emissora retirasse o documentário de outubro de 2024 e se desculpasse pelo que seus advogados descreveram como "danos financeiros e de reputação insuperáveis" até o prazo final das 17h (horário do leste dos EUA) de sexta-feira (14).
A BBC já havia se desculpado por um erro de julgamento no documentário intitulado "Trump: Uma Segunda Chance?", mas não antes de ter desencadeado um escândalo que levou à renúncia de seu diretor-geral e chefe de notícias.
No documentário, o discurso de Trump de 6 de janeiro foi editado para mostrar ele dizendo: “Vamos caminhar até o Capitólio e eu estarei lá com vocês e lutaremos. Lutaremos com todas as nossas forças e, se vocês não lutarem com todas as suas forças, não terão mais um país.”
Na verdade, o líder americano disse: "Vamos caminhar até o Capitólio e vamos aplaudir nossos bravos senadores e congressistas", e 54 minutos depois acrescentou "lutem com todas as suas forças".
Em entrevista à Fox News na terça-feira (11), Trump disse que a emissora britânica havia "destruído" seu discurso "bonito" e "tranquilo" e o "feito soar radical".
Trump tem um histórico de enviar ameaças legais e não dar seguimento aos processos. Mas ele processou o The New York Times e o The Wall Street Journal nos últimos meses por outras queixas.


