Biden anunciará meta de cortar emissões de carbono dos EUA em até 52% até 2030

Objetivo do presidente norte-americano é colocar o país de volta no centro do esforço global para enfrentar a crise climática e reduzir as emissões de gases

Biden anunciará meta ambiciosa de corte de emissões para convencer outros países a aumentarem seus objetivos
Biden anunciará meta ambiciosa de corte de emissões para convencer outros países a aumentarem seus objetivos Foto: Alex Wong - 21.abr.2021/Getty Images

Kate Sullivan e Kevin Liptak, da CNN

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao dar início nesta quinta-feira (22) a Cúpula de Líderes sobre o Clima com a participação de 40 outros líderes mundiais, anunciará um corte ambicioso nas emissões de gases de efeito estufa para tentar colocar os EUA de volta no centro do esforço global para enfrentar a crise climática e reduzir as emissões de carbono .

No evento organizado pela Casa Branca, que acontecerá virtualmente nesta quinta e na sexta-feira (23), Biden dirá que os Estados Unidos se comprometerão a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, até 2030, em 50% a 52% abaixo dos níveis de emissões de 2005. 

Membros do governo disseram que Biden e sua equipe chegaram ao número final em uma reunião na Casa Branca na manhã de quarta-feira (21). Os números foram apurados após longas consultas com agências governamentais, cientistas, representantes da indústria, governadores, prefeitos e pesquisadores ambientais. A ação ressalta o compromisso do presidente em lidar com a crise climática e segue sua promessa de trabalhar com outros países para encontrar soluções conjuntas para questões globais.

Quando o então presidente Barack Obama aderiu ao acordo climático de Paris em 2015, ele prometeu cortar as emissões em uma faixa de 26% a 28% até 2025, o que torna a nova meta de 50% a 52% um grande salto. 

Um segundo funcionário do governo disse que a meta mais alta daria aos EUA “uma vantagem significativa” para convencer outros países a aumentar suas ambições antes de uma cúpula do clima em Glasgow, no final deste ano.

O que o presidente não revelará, pelo menos agora, é um roteiro específico de como os Estados Unidos atingirão essas metas, que são descritas como “para toda a economia”. As autoridades descreveram “caminhos múltiplos” para os EUA chegarem à meta e disseram que a força-tarefa do presidente para o clima lançaria recomendações setor por setor ainda este ano para conseguir os cortes necessários.

“Alcançar essa meta é algo que podemos fazer de várias maneiras”, disse um funcionário do alto escalão do governo um dia antes do anúncio.

“Nos próximos meses, vocês continuarão a ver do governo um foco em impulsionar as ações necessárias que desbloqueiem as oportunidades de empregos que o enfrentamento da crise climática apresenta”, disse o funcionário ouvido pela CNN.

EUA esperam obter ações de outros países

Vários membros do Gabinete de Biden desempenharão um papel no encontro, seja como anfitrião de debates, seja discutindo como seu cargo ou departamento ou agência se relacionam com as questões em torno da crise climática, disse um funcionário do governo no início desta semana.

A cúpula se concentrará na mobilização de financiamento dos setores público e privado para alcançar emissões líquidas zero e “construir um futuro resiliente”, segundo o funcionário. Os EUA planejam discutir o investimento em inovação, que o governo considera fundamental para a criação de tecnologias transformacionais para reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades econômicas.

Espera-se que outros países sigam o exemplo dos EUA com anúncios adicionais de novas metas para enfrentar a crise, disse o funcionário do governo.

“Há um sinal significativo de que esperamos ação nesta reunião. Estamos procurando pessoas para fazer anúncios, para aumentar sua ambição, para indicar os próximos passos que pretendem tomar para ajudar a resolver o problema climático”, disse o funcionário.

O presidente russo Vladimir Putin e o presidente chinês Xi Jinping são dois líderes notáveis ??que confirmaram presença no encontro, ressaltando a ampla gama de líderes presentes. A cúpula também contará com a presença de muitos aliados dos EUA, incluindo o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

Mudança radical na abordagem do tema

A Cúpula de Líderes sobre o Clima é uma mudança radical de como o clima foi abordado nos últimos quatro anos pelo ex-presidente Donald Trump, que negou repetidamente a realidade científica da crise climática e cujo governo reverteu sistematicamente as políticas ambientais.

Trump retirou os EUA do acordo de Paris, mas funcionários do governo Biden disseram que o trabalho para reduzir as emissões de carbono prosseguiu em nível estadual e local, o que evitou que os EUA perdessem muito terreno.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Biden elevou a mudança climática como um elemento essencial da política externa e da segurança nacional dos EUA. Os EUA voltaram ao acordo climático de Paris, o marco internacional assinado em 2015 para limitar o aquecimento global.

Biden nomeou o ex-secretário de Estado John Kerry como seu enviado presidencial especial para o clima, uma posição em nível de gabinete que tem assento no Conselho de Segurança Nacional. O presidente também nomeou Gina McCarthy, ex-chefe da Agência de Proteção Ambiental, como seu especialista do clima na Casa Branca para liderar seu recém-formado Escritório de Política Climática Doméstica.

Criação de oportunidades com uso de energia limpa

O clima é um grande foco da proposta de infraestrutura de cerca de US$ 2 trilhões do presidente. Ele disse que sua proposta criaria centenas de milhares de empregos ao mesmo tempo em que lida com a crise climática, reduzindo as emissões e construindo uma “rede elétrica moderna, resiliente e totalmente limpa”.

Espera-se que Biden se concentre fortemente no benefício econômico potencial que a luta contra a mudança climática pode apresentar. Seus críticos descreveram as tentativas de afastar o país dos combustíveis fósseis como destruidoras de empregos, mas Biden espera destacar as oportunidades que surgirão com a revisão da tecnologia para torná-la mais limpa.

“Há apenas um manual que funciona neste momento e esse manual é perseguir a oportunidade econômica que o enfrentamento da crise climática apresenta e estamos fazendo isso”, disse o funcionário do alto escalão do governo.

As autoridades disseram que realizaram uma análise “técnico-econômica” em vários setores – incluindo eletricidade, transporte, edifícios, indústria, terras e oceanos – para identificar vários caminhos para reduzir as emissões em cada um deles. Isso incluía o potencial para novos padrões e incentivos que limitariam os gases do efeito estufa.

“A meta para 2030 é uma meta que acreditamos que poderemos cumprir”, disse o funcionário do  alto escalão do governo.

Como candidato presidencial, Biden apresentou um plano para acabar com as emissões de carbono das usinas de energia até 2035 e propôs um investimento público mais amplo em infraestrutura verde, incluindo US$ 2 trilhões para projetos de energia limpa.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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